quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Deu sono e só rimei no final.

Meus sonhos tem mais andares que o meu prédio
E eu descobri esses dias ser maior do que esse quarto
Pra fugir da minha fraqueza, dormir foi o melhor remédio
Doze horas de sono e parecia sentir dores como a de um parto

Sonhar é a minha consciência de que vai ser foda assumir meu mundo
No começo a gente se perde no meio de tanta coisa acontecendo
Mas isso não causa medo em mim de sempre querer mergulhar bem fundo
E mesmo que perdido em tiroteios e armadilhas, sei que estou vivendo

Hoje durmo menos e quase toda noite tenhos pesadelos conturbados
Amanhã acordo cedo e não sei fazer parar tudo na minha cabeça
Amado
Não que mereça.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Eu ao contrário do que talvez já tenha usado como título.

Estamos ao contrário
De cabeça pra baixo
Vezes sem rima
 Vezes sem chão

Aplaudimos os errantes
Veneramos as bundas
Vezes sem ver
Vezes  sem ser

Real é tocar o céu
Existir é voar no chão
Ofício difícil
Esse de viver

Suave o sabor do vinho
O encaixe dos corpos
E lá fora
Tanta solidão

Mas sim, sou feliz
De fato, aprendi amar
Mas aqui dentro
Quero mais!

Nada.

E a gente passa por cima de tudo
Os astros e espíritos vão nos guiando
Passam os dias e fico mais profundo
Pra ter forças de ficar festejando
Estou vivo
Estou aqui
Sou tudo
Eu sou o bem

E a gente esquece de um tal problema
Só pra uma vez o amor nos testemunhar
E enquanto me cutuca esse dilema
Sei que nada mais me impede de cantar
Que estou vivo
Estou bem
Sou amor
Sou alguém

E nessa onda de lavar o peito e a alma
Faço reviver os livros lidos pela metade
Pra ver se quem sabe o coração acalma
E aprende a não se importar com a maldade
Do mundo
De nós
Dos amores
De ninguém

E a gente que não afina nunca essa voz
Sem cantar fica mais difícil proceder
Sem cantar fica difícil falar sobre nós
Mas só vai ficar pior quando o sonho morrer
Em mim
E você
E sermos
Quem?

Segunda-feira.

Emanarei sorrisos que separei só pra ti
Renasço toda vez que te vejo aqui
Teu cheiro ontem me contou tudo
Todas as verdades, todo amor que existe
Eu respiro
Solto esse ar
E vivo
Sinto ser alguém

Reerguerei todos nossos castelos de amor
Mesmo sendo segunda e sentindo dor
Pois a cura de tudo estão nas plantas do jardim
Que você, com as tuas mãos, cultivou
E eu sinto
Solto no mar
E revivo
Sinto ter alguém

Hoje quando me ver
Chegue já me contando
O quanto sente, o que pode sentir de bom
Me roube um beijo
Roube meu ar, meu coração e meu corpo todo
Que além do jantar
Eu te sirvo um mundo cheio de abraços
De laços
Beijocas
E claro, o tal do amor
Que nós temos
Na mão
Ah, tua mão
Que nunca me largue
Nunca!

sábado, 27 de outubro de 2012

Ninguém, todo mundo,

Eu tenho sede demais, e todo mundo entende que eu quero a fonte só pra mim
Sendo que eu só quero beber o amor que eu sei ser capaz de devolver em dobro.

Eu sinto demais, e todo mundo entende que faço parte de uma peça dramática de teatro
Sendo que eu só tomei consciência: aqui embaixo não se ensaia pra vencer.

Eu tenho palavras demais
Hoje eu vou guardá-las
E se amanhã eu dizer todas
E se ninguém ler
Eu apago a luz e durmo
Pra tentar amanhã
Outra vez.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Perdido dia sim dia não.

O meu silêncio conta os meus anseios
E a espera de ser compreendido é sempre assim
Corrosiva, dolorida e um pouquinho banal
As vezes banal demais
E entre tantas frases escritas entre tantos barulhos
A única coisa que ouvem é o que sai de si
Sem saber o que falar, sem saber o que quer
Buscando uma métrica que não leva a nenhum lugar
Coisa que dá pra perceber que eu não busco
Pelo menos não nesse verso imenso
Sem rimas e todo sem estrutura
Assim como é exatamente algumas noites aqui
É desistir de tudo, é ser um vencedor
Tudo se mistura em zilhões de caminhos cruzados
E a luz ali, acesa, mas que não é tão capaz
De iluminar coração nenhum
Com tanto vazio e tanto espaço preenchido
Como um almoxarifado imenso e em desordem
E ordem, pra mim, é amar
Seja na hora de agarrar o vazio ou o corpo de alguém
É sempre um desafio a cabeça parar de funcionar
E quando me cobram generosidade
Lágrimas caem com tanta cegueira que passa por mim
E enxergar eu ficando cego, dói
Sei lá, estou perdido dia sim, dia não
E me encontrar
Depende
Sente?
Sim?
É!

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

E se não? E se ser? E se é?

Meu violão virou meu inimigo
Minha bateria sempre bem longe
Minha guitarra foi vendida pra alguém
Que nem sequer sabe tocar

Muitas músicas que fiz já perdi
Outras palavras nem quero achar
E alguns sonhos eu deixei ali
Dormindo enquanto fui trabalhar

Alma, som, vento no cabelo e olhares
Sejam fechados e escuros
Sejam abertos e ainda cegos
Mas só a retina insiste em funcionar

E além
Não fui
E nem sei
Se irei
Mas vou
Ser eu
E relutar
Pra não morrer
Não abortar
A missão

E sei lá, números não atraem
São só incerteza e inquietação
De não poder tocar nada real
A falta que faz um coração

Freios de carros, freios de andares
Terno engomado, cabelo cortado
Pra quem tem medo de carregar vazios
Que o tornem o fio da contramão

Que o tornem nada além daquilo
E que façam ter muito além do juízo
Escravo do vento, a não posse, a morte
Em vida, um colapso que virou esporte

Que vai
E vem
Tão óbvio
Quanto as rimas
Que aqui
Faltaram
Como faltou também
Sentido pra crer
Em Deus, em ser
Alguém
Tão azul e belo
Quando o céu.

domingo, 21 de outubro de 2012

10 minutos.

É simples
O que está lá
Que fique lá
E o que não vivi
Não preciso ver
Maluquice e bobeira
Pode até ser
Mas querer ser
Tudo 
Não é pecado.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

.

"Cavar demais o buraco de amar". Se questionar se deve ou não fazer isso em vida, pode ser uma forma de, logo no plano escrito, evitar a dor e procurar outro ofício. Seja a luz elétrica ou a luz do sol, dane-se, pois foi de olhos fechados e no escuro que aprendi o que é amor. Sim, eu já sei! Mas não tenham inveja, é ilusão pensar que esse saber torna as coisas mais fáceis. E o que eu posso dizer é: retina nenhuma te mostra o caminho, experimente o calor da mão entre dois corpos e duas almas que talvez tudo se esclareça, mesmo que ainda sim, cada um tenha uma forma de amar. Como eu definiria a minha? Maior do que eu sei. Bem maior do que eu sei que é, e se isso é positivo, talvez minhas músicas e meus sorrisos respondam daqui alguns anos. Essa espera...

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Eu e nós, eles... é de ser e liberdade!

Eu lá em cima
E três no chão
Nós por todo canto
Eles dizendo não
É assim, de misturar
De ter medo demais
Ser expectativa
E ser visto como nada
Liberdade! Venha ver
Do lado de dentro
E de todos os ângulos
O que é não existir.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Boas vindas à minha imaginação.

Eu não sei
De muita coisa
Mas eu sei
Sonhar

Eu quero ser
Mais que alguém
Pra um projeto
De gente e felicidade

Sei sim, problemas vem
Mas te dando colo
Eles se vão
Junto com o mal do mundo

Quero ser
O que não tive
E posso ser
Bem mais do que eu já sou

Assim, parar teu choro
Curar tua dor
Ser teu tudo
E me sentir vivo

Se isso é loucura
Sou louco sim
Se é pressa
Corro sem parar sim
Se é amor
Posso chegar
E vou ser o porto
De alguém
Que nem existe
Ainda
Mas quando existir
Vai ver
Melhor do que eu
O que é
Amor.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Sarau.

Me afastei um pouco dos meus ouros pra procurar algo especial
Um sabor aguçado de afeto que sempre fui louco pra provar
Outra dimensão com menos rostos e mais pensamentos pra soltar

E aí a gente já nem sabe mais o tamanho do que é ou não especial
Parece que nunca usam artifícios pra tentar, quem sabe, se salvar
Parecem copiar os semblantes de arrepender o que a boca foi falar

Eu me perco um pouco mais, todo dia, pra ser alguém especial
Deviam saber que isso nasce daquilo tudo que é palpável de amor e real
Infelizmente só tenho palavras, e não marchinhas de carnaval
Pra oferecer à vida minhas obras artísticas em forma de Sarau.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Ser seu, seu ser. (pra Thaís)

Vai por mim: vem por nós!
Que salvação é gritar pro amor
E naquele caderno quero transcrever
Todas histórias que ainda ão de ser

Pra dar passos pares, belos, traçados
Pra nunca calar os sonhos um do outro
Por tudo que for, eu pago pra ver
Flores de todas as cores que possam nascer

Em nós, pra mim só há você no bloco
Peito aberto que fiz e guardei pra ti
Dividir meu bem, minha alegria, meu crer
E sonhar todo dia em nunca te perder

Na parede atrás de mim, tem eu e você
Fotos preto e branco num charme sem igual
Pois o colorir deixamos por conta de viver
Pra voar, tocar, agarrar, tudo que ainda podemos ter

Por acaso eu te encontrei... por acaso nada!
O amor da minha vida veio pois era isso e só
Só o que eu precisava pra continuar a crer
Que tudo era planejado
Deus e os ventos tinham preparado
Pra nada disso dar errado
Acho que já tinha me apaixonado
Quando só de longe
Escondido e ansioso
Queria te conhecer
Reconhecer, depois de anos
Quem diria? Eu diria!
Que sempre pôde ser você
E agora vai ser
Thaís, nunca vai precisar temer
Eu vou te proteger
Zelar teu adormecer
Ser
Seu
Seu ser.