Meu violão virou meu inimigo
Minha bateria sempre bem longe
Minha guitarra foi vendida pra alguém
Que nem sequer sabe tocar
Muitas músicas que fiz já perdi
Outras palavras nem quero achar
E alguns sonhos eu deixei ali
Dormindo enquanto fui trabalhar
Alma, som, vento no cabelo e olhares
Sejam fechados e escuros
Sejam abertos e ainda cegos
Mas só a retina insiste em funcionar
E além
Não fui
E nem sei
Se irei
Mas vou
Ser eu
E relutar
Pra não morrer
Não abortar
A missão
E sei lá, números não atraem
São só incerteza e inquietação
De não poder tocar nada real
A falta que faz um coração
Freios de carros, freios de andares
Terno engomado, cabelo cortado
Pra quem tem medo de carregar vazios
Que o tornem o fio da contramão
Que o tornem nada além daquilo
E que façam ter muito além do juízo
Escravo do vento, a não posse, a morte
Em vida, um colapso que virou esporte
Que vai
E vem
Tão óbvio
Quanto as rimas
Que aqui
Faltaram
Como faltou também
Sentido pra crer
Em Deus, em ser
Alguém
Tão azul e belo
Quando o céu.
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