quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

São Vicente.

Quando eu acordo me sinto longe de casa
Aos sábados não tem mais ensaio na rua de cima
De sexta não tem bagunça até de madrugada
Nem ando mais meia hora até a tua casa, irmão.

Não tem mais feira, nem guerra de espumas
Tem pouca música e muito tempo longe
Alguma coisa tá errada e não tem como arrumar
A gente inventou o tempo e não sabe como faz pra voltar

Acabou os feriados de revezamento das casas pra dormir
Acabou fugir da aula pra fingir ensaiar o Sarau
Já não tem mais a rampa pra descer e um amigo pra abraçar
Eu reclamava demais e agora sinto saudade daquele lugar

Saudade de estudar, de ganhar a cola e ter medo de usar
Dos abraços do Mala e da piada da preguiça
Do Caio roubando giz do professor
E o Tales crescendo e mostrando ser um cara cheio de amor

Sei lá pra onde a gente vai, só não nos daremos adeus
Queria ter 30 anos e dormir na casa dos amigos meus
A gente cresceu demais e viu que não dá pra fugir
Mas o bom disso é a certeza do que vai sempre vir
E que venham sempre vocês!


segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Ainda tem tempo.

Ainda tem tempo
Pra aprendermos a passar
E lavar e cozinhar um prato
Pega o biscoito mais barato
Que o que importa é o nosso amor

Ainda tem tempo
Pra um pouco da chatice dissolver
E viver só pra ser o teu lar
A melhor coisa foi te encontrar
E em todo frio que houver vou ser teu calor

Ainda tem tempo
Pra aprender a dar de mamar
Trocar fralda e buscar na escola
Nas nuvens a gente não se esfola
E nesse caminho não há onde tropeçar

Ainda tem tempo
Pra separar o dinheiro da água
Da luz, da internet e do sofá novo
Pra quando faltar sal ou ovo
A gente vai aprender como lidar

Ainda tem tempo
Pra deitar no sofá cansados do dia
Que passou e acabou de acabar
Mas ainda tem tempo de beijar
Como beijei a primeira vez o meu bem

Ainda tem tempo
Pra escolher a praia e o vestido
Pra gente casar
Entre o sol e o luar
E enfim, só ser feliz
E só

Ainda dá tempo
Pra juntar uma grana em janeiro
E escolher um lugar pra viajar
E do lado de lá
Mais sonhos vão surgir.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Ar e a argila.

Escuro é um breu por opção espiritual
Se entrega e se joga num buraco individual
Sem dividir nem rir as belezas dessa vida
Se acordo e levanto, a guerra não está vencida
Pelos outros, sem-tetos e famintos vão levando
Uns até o amor, mesmo ao sobreviver vão edificando
A sujeira na cara e cheiro ruim não diz nada
O olfato e o tato são uma dádiva afogada
Nunca soubemos usar os nossos dons para construir
E o dom do pensamento a gente usa só pra se excluir
Tirar o seu da reta e culpar o colega do lado
E erra também quem acusa o outro de estar errado
Todo mundo merece a chance, quem perdeu vai embora
Na vida não fila, repescagem, livro de auto-ajuda e escola
Na verdade até tem, mas isso nunca será viver
Tem muito amor sobrando até em quem não sabe ler
E ninguém vê isso, engraçado é o pranto
Que cai dos olhos da estátua de um santo
Água se cria no ar, no suor e na saliva
Só que pra sangrar precisar ser matéria viva
Eu vivo transpirando amor em meus cantos
E renascido esse amor que retorna dos prantos
Nada simplesmente se deixa, e nada vamos levar
E na passagem vamos ver que a maior dádiva de viver é estar vivo
E respirar.




Tudo.

Amor
Vou sendo o que sou
O acaso me perdoou
E hoje me presenteou
Com você sendo o que eu sou

Eu sou você
Pra te entender
Eu só quero querer
Espero da vida viver
O gosto de só te ter.