Escuro é um breu por opção espiritual
Se entrega e se joga num buraco individual
Sem dividir nem rir as belezas dessa vida
Se acordo e levanto, a guerra não está vencida
Pelos outros, sem-tetos e famintos vão levando
Uns até o amor, mesmo ao sobreviver vão edificando
A sujeira na cara e cheiro ruim não diz nada
O olfato e o tato são uma dádiva afogada
Nunca soubemos usar os nossos dons para construir
E o dom do pensamento a gente usa só pra se excluir
Tirar o seu da reta e culpar o colega do lado
E erra também quem acusa o outro de estar errado
Todo mundo merece a chance, quem perdeu vai embora
Na vida não fila, repescagem, livro de auto-ajuda e escola
Na verdade até tem, mas isso nunca será viver
Tem muito amor sobrando até em quem não sabe ler
E ninguém vê isso, engraçado é o pranto
Que cai dos olhos da estátua de um santo
Água se cria no ar, no suor e na saliva
Só que pra sangrar precisar ser matéria viva
Eu vivo transpirando amor em meus cantos
E renascido esse amor que retorna dos prantos
Nada simplesmente se deixa, e nada vamos levar
E na passagem vamos ver que a maior dádiva de viver é estar vivo
E respirar.
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