quinta-feira, 23 de maio de 2013

Fitoterápico.


De que adianta um instrumento que tocado
Soa mais baixo que o meu sussurro?
Sinto-me um coitado mais dia menos dia
Mesmo lutando pra deixar de ser burro
É a força equivalente à falsidade
E honestidade que lhes faltam mas ainda me vence
Eu sei, vocês se esforçam e soam bem melhores
Mas aceitem que esse mundo me pertence

Aceitem que um dia os esquecidos vencem...

Hoje o escritório inspirou uma canção vazia
Onde preenche a vontade de pegar uma estrada
E sem as quatro rodas me restou o violão essa noite
E a esperança da minha própria vida por mim ser amada
Escada, retina borrada, mandamentos da fé errada
Tudo o que não pode, Deus deixou pra aprender
E chega de novo na minha frente os profetas de asfalto
Que são quentes, te convencem, mas estão a perecer

Dura menos que leite aberto fora da geladeira
Eu sei que é besteira
Da minha besteira eu nasço
E fiz de um rosto um traço
Me nego e por aí me amasso
Preciso de um showzasso, um abraço
De espaço, um baço e mais que um passo
E o estilhaço do pulmão de quem fuma um maço
Funciona como o coração de quem escolhe ser escaço
E eu caço a boa nova sem saber sair do meu espaço
E ninguém entende o ofício que eu acordo, visto e faço
Não sou de aço.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Virada vomital.

Sem cultura
Desestrutura
Ninguém quer arte
E é dessa parte
Que eu me envergonho
E eu disponho
Do meu não-vazio
Que nada salva, nem Rivotril
É garrafa demais
Pra quem tem barriga cheia
De ser escroto, vazio
De ficar me encarando
E no outro dia é só o rastro
Desse vazio vomitando
É ódio, liberdade cega e rancor
E o pior que eu vejo isso de quem clama amor
Falar é fácil, mas ser ninguém também
Gente jogada na rua e vocês dizem amém?
Quem? Me diz quem vai jogar a toalha
Feche os olhos pra fingir que essa ressaca logo acaba
Mesmo com dor de barriga
Mijo a rodo na bexiga
A seiva que é cantada
Nunca foi extraída.