Eu nutri ódio naquele escuro, nutri toda essa escuridão também
Calei minhas canções e cantei o que sei sobre não saber
Preferi calar meus encantos, disfarçar os meus espantos
Vivi o amor no vazio que não cabia precisar
Escolhi o que era oco pra ter sentido em preencher
Aceitei servir minhas necessidades com água dos meus próprios olhos
Frequentei as festas e as pessoas não queriam me escutar, só dançar
Nunca soube medir essa necessidade de me colocar a prova
Dosar essa natureza de ser amor no que se deve ser ar, nada, só
Mundo real, seres humanos, eu, vocês, as cartas e as palavras
Fica escondido só o que a imperfeição impede a boca de falar
E sendo assim: cumpri uma missão bastante complicada, por mim
Amei ainda mais por ódio dessa demência do mundo não ser sensível
Tive ainda mais fé por ódio dessa oração cheia de culpa, medo, mentira
Foi por ódio, soube usá-lo junto com o egoísmo de me cuidar
Até hoje eu não abracei nada do que eu queria sonhar
Eu realmente não venci, eu realmente não aprendi nada da vida
Sou ainda uma criança procurando um disco pra ter companhia
Na hora da Nanci ir trabalhar, na hora que o dinheiro ia acabar
E eu me perguntando o motivo do meu pai não vir nos ajudar
Nas horas de buscar o disfarce que eu herdei dessa solidão
Foi por ódio que eu aprendi amar
Se é o ideal eu não sei
Mas eu aprendi
E amo
Mais
Sim
É
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