domingo, 29 de dezembro de 2013

Mar.

Liberdade pelo mar escuro
Somos um ponto nulo
Nessa imensidão qualquer
Sem sequer a luz da lua
E ainda sim encanta os olhos
Que vêem muito pouco e sabem
Mesmo assim, ainda sim
Que se sentir é preciso
E o farol nos tira a natureza
De aprender sobre nós e se encontrar
Encontro vida numa ideia de lampejo
Nessas casas eu só vejo silêncio
Salga nosso corpo e molha com desejo
E o oceano tão extenso vai repousar
Fazer brilhar o que não é possível
Fazer vibrar em nós o que não é cabível
Quem inventou o caminho até o lugar ao sol?
Talvez isso se resolva com 20mg de Beserol.


domingo, 22 de dezembro de 2013

Litros.

Quando sobem os degraus
Assim, um de cada vez
Ignoram o de baixo
Sem lembrar que podem precisar descer
E como todos sabem
De dois em dois é fácil
Encurtando o caminho
Sem lembrar que a gente pode se perder
E enquanto nasce o dia
Subindo as escadas do céu
O sol na fala figurada
Em sua forma mais bonita de ser
Entretanto, minha amiga
O som das cordas eu divido
Em nós a nota sugerida
Contanto que essa falta não me faça morrer

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Seu.

Sou o sol sobre nós
Querendo brilhar
Ao menos nascer
Ao menos dizer
"Tudo o que eu tenho é você"
Que é tudo e devo aprender
O trabalho e o coração
Aprende comigo uma coisa:
Se eu me perco demais
É pra entrar na minha vitória
Tão minha que é difícil explicar
E tão tua por ter sido só você
Que deu a vida, os dias, os sonos
Pra que eu voasse longe assim
Entenda, eu só quero fazer valer
O que eu mais te desejo na vida
Além de amor, um rio dele
Um mar de sonhos
Pra gente sempre se encontrar em paz
Aqui ou lá atrás
Desculpa pela louça
Pelo choro de moça
Mas eu vou buscar
Te honrar.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Oi.

Parece engraçado e o calor
Vai suando os sentidos
Dá dúvida e dor
Os ponteiros perdidos
Pra trás ou pra frente
Pra onde eu vou
Pra agradar esse cara
E ganhar o teu amor
Seja sempre eu
Sempre seja minha voz
Não se vá nessa estrada
Não se vá nesses nós

Nós
Somos eu e você
Por sermos felizes
No sonho da casa
Não importa o que eu faça
Te quero na cama
Pra dormir em paz


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

.

Deus, decidi parar
Sonhar não dá
Seja aqui ou em Mauá
Prefiro paredes brancas
Cultivar algumas plantas
Nem quintal eu tenho
Repito em mim esse fim
Ecoa como refrão, assim
Se foi, se vai, acaba, sai
Se vai, irá, acabou, retrai
Sou exatamente o que sobrou
Sonhar não dá mais
Queria um paraíso
Me decepciono com meu sorriso
Cumprimento querendo desviar
Digo 'tá tudo bem' sem estar
Estou acordado sem querer acordar
Deus, não queria parar
Queria sonhar
Me mudar, tão nervoso e fraco
Rivotril não enche meu frasco
Nem o violão enche mais
Não sou capaz
Queria um paraíso
Parar a dor do siso 
Fazer da dor meu riso
Cantar que recomecei
Mas se eu cantar
Vai ser pra agradar
Dar orgulho, dar dinheiro
Ser rentável
Ser lamentável
Não sou retrátil
Sou só meu próprios cacos
Meus pontos fracos
Não faço tratos
Não jogo dados
Só quero ir dormir.


domingo, 8 de dezembro de 2013

Alfredo boêmio e a família da Martha rapsódia.

Quinze anos
Nasce sonho
Morre amor
Puta merda
Que calor!
Volto aqui
Faz-me rir
Sonho médio
Desistir
Voa alto
Bateu cabeça
Faz silêncio
Vira a mesa
Faz caber
A sobremesa
Escrevi poema
Conheci Moema
Almocei arroz puro
Me calei, pulei muro
Tive medo
Não falei com você
Perdi uma amizade
E perdi a saudade
De amigo covarde
Volto aqui
Rimo pouco
Tomei breja
Suco e soco
Coração e reboco
Me sinto um louco
Dedilhei Mariô
Pendurei meu tambor
E a guitarra desligou
Vem correndo
Sai correndo
Tiro ao alvo
Derretendo
Nesse quarto
Todo branco
Mudou tanto
O vermelho
E esse banco
Verde escuro
Roupa em cima
O que emburrece
Queen ensina.




terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Filantrópicos argumentos da biologia envolvente e curiosa das minhas artérias poetizadas.

Institucionalizável minhas artérias
Entupidas com saberes tupiniquins
Mostra teta, vestem Prada os manequins
Contrapontos meio claros para os fins
Frenéticos gritos pela madrugada
Todos pra dentro acumulando dizeres
Heróis reais não poupam seus poderes
Sem vergonha de mostrar seus não-saberes
Hiperglicemia quando encontro as balas
Rasgando peitos de armaduras reforçadas
Todos andam com suas almas baleadas
E a censura já começa nos buracos das calçadas
Recalcadas
Moderadas
Volta e meia dispensadas
Assinando o contracheque
Garantindo jóias douradas
Pracabá a paciência
Vão beirando a demência
Sendo pó, concreto e vidro
Rasga o peito de um amigo
Chorando tua perda
Olha só.

O rock não erra quando escuto 'Subdivisions' do Rush.

Indireta em forma de catarse
A pobreza de barriga cheia
Linguajar moderno na canção
Cópia demente de anos dourados
Busca banal de se intelectualizar
Não preciso de rima pra me expressar
Rimei agora só pra não te contrariar
Espaços de discussões em círculo
Coletivo cultural pro culto vazio
E o culto das 8 continua abençoado
Repetido, venha até nós desmistificar  
Como carência e medo podem vulnerar 
Aqui, eu digo a hora que precisa rimar
O ódio que eu sinto só me faz amar
Chega o fim do ano e o fim da tarde
Fracos são os ricos, chuva pra molhar
Entretendo o povo, ostentando a vida
Que difere o certo do erro de cagar e andar
Escuta o que quiser e bota o pão na mesa
Acabou manteiga, desce seco na garganta
Pois a água encanada tá saindo escura
Como a alma cega que ainda me espanta
Espantem os fantasmas que criaram medo
Fraco sem desejo de até sair pra passear
A ideia era escutar Rush e falar de rock
Mas a mente corre tanto, não dá pra controlar
Sem rima, pé de pato que acelera o nado
Torto ou sincronizado, aqui a genialidade é nada
Só sei sentir mais do que vocês e o sangue de barata
Seca mais ainda em cada frase que me fazem calar.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Nome.

A foto bonita
Efeito de luz
A frase perfeita
E o que não sou
A alma perdida
A fila do SUS
A pele imperfeita
Vou lá retocar
Mantendo o estoque
Sempre cheio de amor
Pra mostrar e esquecer de usar
Acumulo os passos pra cá
Tenho tudo e não sei usar
A mamãe me deu carro
Não me falta comida
E insisto em me esvaziar

A pele bonita
Não brilha na luz
Maquiagem perfeita
Só sei que se borrar, fodeu
Não tenho nada pra mostrar que é meu
Peguei de alguém que não percebeu
Esqueci da métrica 
No poema confuso
Agora vou lá me matar
Na verdade eu morri
Hoje mesmo e aqui
Vou deitar e dormir
Deus não me deixa acordar

Pelo menos não aqui.