sábado, 30 de agosto de 2014

Onze horas.

As águas que banham campos de areia,
o céu da noite que escurece a nossa poesia
fraca, jogada aos becos de uma esperança solitária.
Eu sou feliz por fora, lá fora, e às onze acaba
toda sede, tanta fome, tamanha a minha manha
de fingir tão bem o que se deve ser nesta vida.
Madrugada pra mim ainda é noite, é contínuo
do que eu vivi depois do dia clarear, e foi pior
do que eu tinha imaginado pra mim no fim do dia.
Silêncio me lembra noite, solidão me lembra o quarto
que mesmo escuro e vermelho, sangrando lembrança,
ainda funciona como fonte de inspirar dores antigas.
Novos são os baianos cheios de força no turno noturno,
girando a manivela pra fazer do dia a sua noite de sono.
Entre tantas histórias, a com menos sentido sou eu,
a que menos se encaixa é a minha, mas todas finitas
quando gravam nas fitas só aquilo que nos convém ver.
E não há solidão pior do que aquela que mente o dia todo
e só é verdade quando finalmente o relógio aponta onze horas.



domingo, 17 de agosto de 2014

Trabalho II

Conto uns três degraus,
botando os pés no chão.
Agora tenho mais cem metros
de caminho pra andar por dia.
E o trânsito segue imprevisível,
combinando com o nosso amanhã.
Vinte minutos suando ao caminhar,
mesmo no frio, no calor, na chuva.
Eu quero meus pés no chão,
andando e vendo os rostos sérios
dessa imensa e forte e louca solidão.
De todos rostos somos mais um na multidão.