sábado, 30 de agosto de 2014

Onze horas.

As águas que banham campos de areia,
o céu da noite que escurece a nossa poesia
fraca, jogada aos becos de uma esperança solitária.
Eu sou feliz por fora, lá fora, e às onze acaba
toda sede, tanta fome, tamanha a minha manha
de fingir tão bem o que se deve ser nesta vida.
Madrugada pra mim ainda é noite, é contínuo
do que eu vivi depois do dia clarear, e foi pior
do que eu tinha imaginado pra mim no fim do dia.
Silêncio me lembra noite, solidão me lembra o quarto
que mesmo escuro e vermelho, sangrando lembrança,
ainda funciona como fonte de inspirar dores antigas.
Novos são os baianos cheios de força no turno noturno,
girando a manivela pra fazer do dia a sua noite de sono.
Entre tantas histórias, a com menos sentido sou eu,
a que menos se encaixa é a minha, mas todas finitas
quando gravam nas fitas só aquilo que nos convém ver.
E não há solidão pior do que aquela que mente o dia todo
e só é verdade quando finalmente o relógio aponta onze horas.



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