Agora eu não preciso mais
dos meus mesmos amigos,
das minhas tantas saudades
e de ter medo da escuridão.
A solidão é a minha aventura
preferida no que se refere às notas
soando sem sentido no meu ouvido
voraz e com sede de barulhos altos.
Vou então torturando o meu passado
com essa esperança que conforta
mas corrói e maltrata o que se destaca
em mim e nas pessoas dessa cidade
que choram tanto e reclamam da falta
de alguma coisa que elas não sabem.
Não saber é a tortura constante
de se ultraviolentar e inventar palavras
pra definir o que é escuro pra você
ou o que é profundo quando me afogo
nesse lago que me puxa, que me encanta
esse gostinho dessa morte em tanta vida.
Toda sina é viver o contrário do que deve.
Ai meu deus, as regras falam alto demais
sem a melodia torta que é dúvida ou a porta
que se fecha na minha cara, bate na minha cara
e me faz acordar, me tira desse pesadelo
ou me deixa nele mesmo, que eu gosto do que incomoda.
Me machuca então, me maltrata então, usa esse pedaço de pau então
e me arrebenta pra ver se eu acordo de uma vez.