segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Não aguento yoga, aguento reinventar asas.

Eu queria
as fotos
de cor,
de qualquer
celular rosa.
Era moda.
Que tocava
uma música,
único tom,
bocas vivendo: 
um momento
que jogaram
no mar.
Pena agora
esse mar
ser enorme
pra procurar.
Pelas areias
daquela praia
apagada tanta,
se sonhava mais.
Prédio alto,
outro lado,
gestos francos,
é errado
viver pouco.
Escadas, rua,
de cima
eu vi.
Quem esquece,
sorte sua.

domingo, 14 de setembro de 2014

Eu ao meu encontro

O passado corre
e eu deixo ir,
pois a saudade
já não quer voltar.
Os ventos fortes
me fazem sorrir,
então eu deixo
a saudade passar.
Os versos simples
vão me descrever.
E meu futuro
hoje já não há.
Só penso em viver,
só quero estar 
em paz pra lutar.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

ultraviolentando

Agora eu não preciso mais
dos meus mesmos amigos,
das minhas tantas saudades
e de ter medo da escuridão.
A solidão é a minha aventura
preferida no que se refere às notas
soando sem sentido no meu ouvido
voraz e com sede de barulhos altos.
Vou então torturando o meu passado
com essa esperança que conforta
mas corrói e maltrata o que se destaca
em mim e nas pessoas dessa cidade
que choram tanto e reclamam da falta
de alguma coisa que elas não sabem.
Não saber é a tortura constante
de se ultraviolentar e inventar palavras
pra definir o que é escuro pra você
ou o que é profundo quando me afogo
nesse lago que me puxa, que me encanta
esse gostinho dessa morte em tanta vida.
Toda sina é viver o contrário do que deve.
Ai meu deus, as regras falam alto demais
sem a melodia torta que é dúvida ou a porta
que se fecha na minha cara, bate na minha cara
e me faz acordar, me tira desse pesadelo
ou me deixa nele mesmo, que eu gosto do que incomoda.
Me machuca então, me maltrata então, usa esse pedaço de pau então
e me arrebenta pra ver se eu acordo de uma vez.

domingo, 7 de setembro de 2014

Meu nome é Clara.

Clara, vê se fica calma,
respira, faz a tua reza
e fica um pouco mais.
Clara é oito ou oitenta,
quer ir até uma rua nova
pra ver prazer em passear.
A vida de Clara é um sol,
uma figuração qualquer.
No céu ela não cabe mais,
nem na saudade do quarto.
Uma vez Clara me disse
que o importante é a fachada
que você vê na sua casa
e poder sentir que ela é sua.
Se você se sente uma visita
que só incomoda e irrita,
talvez seja hora de viajar.
Mas pra onde Clara quer ir?
Tantos mares, cidades e Paris...
Mas Clara prefere um sonho
suportado por sua força forçada
que serve sempre pra nada.
Clarinha, tome rumo de uma vez,
olha o que essa frescura te fez,
bordou à mão tua própria solidão.