respira, faz a tua reza
e fica um pouco mais.
Clara é oito ou oitenta,
quer ir até uma rua nova
pra ver prazer em passear.
A vida de Clara é um sol,
uma figuração qualquer.
No céu ela não cabe mais,
nem na saudade do quarto.
Uma vez Clara me disse
que o importante é a fachada
que você vê na sua casa
e poder sentir que ela é sua.
Se você se sente uma visita
que só incomoda e irrita,
talvez seja hora de viajar.
Mas pra onde Clara quer ir?
Tantos mares, cidades e Paris...
Mas Clara prefere um sonho
suportado por sua força forçada
que serve sempre pra nada.
Clarinha, tome rumo de uma vez,
olha o que essa frescura te fez,
bordou à mão tua própria solidão.
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