quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Seu Nelson, o quintal sou eu que lavo hoje

Germinei umas tantas dúvidas,
alguns imbróglios tão constantes,
que de tão meros e desimportantes
viraram só palavras vãs e tão sós.
Meus versos são a certeza de nada.
Nosso controverso é uma última parada,
e me parece ser sempre o fim da linha.
A liberdade constitucional é desigual.
Literal poética no nome, mas, por hora, banal,
e me faz doer a alma em desentender:
como é que cresce o corpo, os seios,
a barba e a vontade de viver anseios,
mas a alma se eleva apenas ao poder?
O resto fica preso na frase, calada,
de um poeta moderno do século XXI
que vai jogar video-game e responder e-mails.
Tardei demais e tô na moda, não nego:
os tênis, as gírias, as músicas, os ternos.
Mas pra encaixar a peça é duro, ninguém vai saber.
Só nu de mim aos olhos ébrios é que um dia eu vou realmente aparecer.



terça-feira, 9 de dezembro de 2014

ROSÁRIO

Não sei onde sou,
nem sobre dívidas
que me cobram.
Não me adapto
ao teu pôr do sol,
escuro na essência,
sem graça a demência
de viver pra gananciar.
Meio torto, vou tropeçando
e amando o que vier de bom.
e o que é ruim: eu venço em ti.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Não aguento yoga, aguento reinventar asas.

Eu queria
as fotos
de cor,
de qualquer
celular rosa.
Era moda.
Que tocava
uma música,
único tom,
bocas vivendo: 
um momento
que jogaram
no mar.
Pena agora
esse mar
ser enorme
pra procurar.
Pelas areias
daquela praia
apagada tanta,
se sonhava mais.
Prédio alto,
outro lado,
gestos francos,
é errado
viver pouco.
Escadas, rua,
de cima
eu vi.
Quem esquece,
sorte sua.

domingo, 14 de setembro de 2014

Eu ao meu encontro

O passado corre
e eu deixo ir,
pois a saudade
já não quer voltar.
Os ventos fortes
me fazem sorrir,
então eu deixo
a saudade passar.
Os versos simples
vão me descrever.
E meu futuro
hoje já não há.
Só penso em viver,
só quero estar 
em paz pra lutar.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

ultraviolentando

Agora eu não preciso mais
dos meus mesmos amigos,
das minhas tantas saudades
e de ter medo da escuridão.
A solidão é a minha aventura
preferida no que se refere às notas
soando sem sentido no meu ouvido
voraz e com sede de barulhos altos.
Vou então torturando o meu passado
com essa esperança que conforta
mas corrói e maltrata o que se destaca
em mim e nas pessoas dessa cidade
que choram tanto e reclamam da falta
de alguma coisa que elas não sabem.
Não saber é a tortura constante
de se ultraviolentar e inventar palavras
pra definir o que é escuro pra você
ou o que é profundo quando me afogo
nesse lago que me puxa, que me encanta
esse gostinho dessa morte em tanta vida.
Toda sina é viver o contrário do que deve.
Ai meu deus, as regras falam alto demais
sem a melodia torta que é dúvida ou a porta
que se fecha na minha cara, bate na minha cara
e me faz acordar, me tira desse pesadelo
ou me deixa nele mesmo, que eu gosto do que incomoda.
Me machuca então, me maltrata então, usa esse pedaço de pau então
e me arrebenta pra ver se eu acordo de uma vez.

domingo, 7 de setembro de 2014

Meu nome é Clara.

Clara, vê se fica calma,
respira, faz a tua reza
e fica um pouco mais.
Clara é oito ou oitenta,
quer ir até uma rua nova
pra ver prazer em passear.
A vida de Clara é um sol,
uma figuração qualquer.
No céu ela não cabe mais,
nem na saudade do quarto.
Uma vez Clara me disse
que o importante é a fachada
que você vê na sua casa
e poder sentir que ela é sua.
Se você se sente uma visita
que só incomoda e irrita,
talvez seja hora de viajar.
Mas pra onde Clara quer ir?
Tantos mares, cidades e Paris...
Mas Clara prefere um sonho
suportado por sua força forçada
que serve sempre pra nada.
Clarinha, tome rumo de uma vez,
olha o que essa frescura te fez,
bordou à mão tua própria solidão.


sábado, 30 de agosto de 2014

Onze horas.

As águas que banham campos de areia,
o céu da noite que escurece a nossa poesia
fraca, jogada aos becos de uma esperança solitária.
Eu sou feliz por fora, lá fora, e às onze acaba
toda sede, tanta fome, tamanha a minha manha
de fingir tão bem o que se deve ser nesta vida.
Madrugada pra mim ainda é noite, é contínuo
do que eu vivi depois do dia clarear, e foi pior
do que eu tinha imaginado pra mim no fim do dia.
Silêncio me lembra noite, solidão me lembra o quarto
que mesmo escuro e vermelho, sangrando lembrança,
ainda funciona como fonte de inspirar dores antigas.
Novos são os baianos cheios de força no turno noturno,
girando a manivela pra fazer do dia a sua noite de sono.
Entre tantas histórias, a com menos sentido sou eu,
a que menos se encaixa é a minha, mas todas finitas
quando gravam nas fitas só aquilo que nos convém ver.
E não há solidão pior do que aquela que mente o dia todo
e só é verdade quando finalmente o relógio aponta onze horas.