terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Mais uma.

Não vou mais
Virar e dormir
Nem amanhã sorrir
Porque é assim?
Só com pranto pra levar
A frente o que é tão sério pra mim?
Não sei mais
Nem aguento
Nem sei se eu enfrento
O que eu mesmo escolhi
Escolhi ser alguém que sente mais
Que pensa demais
Logo mais
Não saberei pra onde ir
Comigo.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Por onde for.

A vida sem querer se torna em firmeza
Ocupar uma cadeira na escola ou na empresa
Pra depois deixar vazio, a vida sempre foi um rio
Sem saber o momento certo e onde desaguar
A vida

Sem querer nós tomamos as nossas decisões
Alguns marcam isso em versos ou refrões
E deixar-se ir assim com um tapa no peito
É pouco pra um mundo transbordando defeito
Sem querer

E por onde for que sigam passos mais largos
E evitar que a secura do tempo cause outros estragos
Seja na tua sala-de-estar, no meu ou no seu lugar
Que seja a alegria do tempo e ser mais que só um momento
Por onde for.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Confusão metódica em escada.

Quem vai calar as frases feitas?
Eu me proponho
Suponho
Ponho
Respondo
Por onde ando
Quem vai curar feridas feias?
Será o amor
Clamor
Dor
Vamos supor
Que a dor é de quem
Escolheu ser um só e esqueceu
De ser.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Valentina.

Era uma moça só, de idade pouca
Ía por ir, como lhe fizeram ser assim
E pouco tempo aqui não era suficiente
Pro desprezo sobre suas ideias virar compreensão
Do mundo, dos outros, de quem quer que seja
Até cachorros sabem amar e nós não
Ela tem um pouco de coragem e as vezes medo
Escreve belos versos que não mostra pra ninguém
Descreve o rosto de um garoto com precisão
E sonha ir até um parque com ele pra aprender amar
E sabe que fica cada vez mais difícil sonhar
Que ele talvez nem tenha como te notar
E quando te descobrir não vai querer te imitar
Porque ela está sozinha, tão só e é só isso
Sua dicção poética é caótica aos que leem
Sim, ela mostrou pra três ou quatro e se arrependeu
Mas não sabe se desiste ou vive pra morrer assim
É uma nobre questão, uma nobre coragem prosseguir
Até porque os céus nos dão direito de ir e vir
Chorar e sorrir
Ser diferente e existir
E ela escolheu fluir
Que bom
Valentina era heroína de si mesma nessa história
Fez seu pai nascer logo depois de ter crescido
E o sentido disso tudo está depois dos dois pontos:
Tem espaço pra tudo e as caixas estão vazias.

Dezessete milhões de possibilidades.

A sensação de ser um só
É como um corte na pele
Ainda não chegou no coração
Nem quero ver se chegar
A maioria não vai me vencer
Nem por razão
Nem por cansaço
E por onde eu for levo o que aprendi
Pois abrir mão de ser eu não dá
Não demora pra desmoronar
Um pouquinho todo dia, e vai
Assim me erguendo mais
Vai entender...
Vai saber se eu tô mesmo vivo
Quantos planetas há mais
Dezessete milhões por todo lado
E não se sabe o que importa lá
Talvez eles sobrevivam como nós
E o nome de Deus seja o meu ou o seu
Rodeando também o limite dos muros
Construídos paralelamente por nós
Que em órbitas diferentes
Devemos nos dar a mão sem perceber
Vai saber...

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Escadardo.

Escada que sobe
                           A gente escolhe descer
                                                              E o viver que eleva
                                                                                           A gente prefere morrer
                                                                                            A gente vai se render?
                                                                                             Eu não tenho porquê   
                                                              Eu quero vida, viver
                           Sem explicar o que ser
Não tente entender

O que é forte permanece
Aos olhos nus do coração
Que se entrega e vira alvo
Dos sentimentos bons
De quem tem disposição
De ser teu alvo também
Não há nunca quem
No fim, não queira amar
A gente não pode se cansar
De abraçar a vida que temos
E no ponto de trólebus
Amanhã eu vou lembrar
De você
E você
Você.

Toneladas.

Na volta que eu dei
Eu quase me perdi
Eu ainda não conheço bem
As ruas que são daqui
E o meu coração
Não viu o céu abrindo
E entre esse quarteirão
Há uma alma partindo
Pedindo pra se perder
Ir pra longe um pouco
Implorando pra viver
Não fazer da razão um soco
O bom dia que levaste
A despedida que encolheu
Não quero ter que usar um guindaste
Pra resgatar o que escolheu
E por onde for eu vou, eu vou
Eu só quero ir, eu vou, eu vou.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Não tão bem dada.

A gente cria relógio pra se organizar e se perde no tempo
A gente tem os sonhos e espera brotar a hora certa e um momento
Há quem se frustra e interfere o passo do outro pra sentir-se isento
Viver é mais foda do que eu pensava.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Como bem entender.

Ao sentido que vê
Ao copo que esvazia
Sem matar a sede
Sem o gosto da fruta

Sejamos nós algo bom
Que o que pescamos é nada
Somos tudo ao entender
Que tudo é o que podemos viver

Tudo hoje, nada amanhã
Enquanto penso vivo mais
Escrevo e passa o tempo
Mas ganho mais amanhã
Talvez, sei lá.

A festa e a luz do amor.

Eu quero ir assim, da minha maneira
Com as certezas e canções no peito
Pra fazer da minha vontade um lar
Aquele lá que eu quero morar contigo
Meu abrigo, dois filhos e os amigos
Se tenho razão pra mim e pra nós, tá bom
Há tanta coisa pra conhecer, eu sei
Mas vamos dar as mãos pra conhecer
Sempre juntos e na mesma hora, assim
Só assim o que é nosso vai prevalecer
A luz que os céus nos deu vai viver
Em nós, nos que chegarem e nos que irem
Mas quando chegar a hora de partir
Que seja sempre ao mesmo lugar
Pra esse amor todo sempre ser festa.


quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Os defeitos das traduções dos livros dos heróis.

O que Deus nos deu por aqui
É luz, espírito, mediunidade
Carregue-se do bem entregue
E o que for o contrário disso
É fugir da culpa de ter em si
Um pouco do mal também
Admita-se sem se escorar
Reflita-se sem se basear muito
Jogue as verdades na mesa
Pra juntá-las e jantar solução
Enquanto se faz a oração, já pronta
Se cria coragem e acha que vai
Mas vai pra onde? Esqueceu?
Antes tem que ir pra algum lugar
E a coragem de enfeite, é assim
Precisa ter forma
E se um homem deu sua vida por nós
Façamos o mesmo por amor, antes de tudo
Pra salvar o mundo com as próprias mãos.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Comendo livros do Abreu, se é que ele tem livros...

A gente escolhe ser
O que queremos inventar
Pegamos o trecho do livro
E fazemos dele um gesto
Pra transcender o que foi lido
E admirado pelos olhos
Vezes do coração e a vida diz
Não! Assim não se vai, só assim
É tudo mais e mais do que é ou parece
Daí perdemos a fé e a vida envelhece
Não erremos assim
Façamos nós o caminho das linhas do caderno
Com letras, desenhos, formas e símbolos
Qualquer coisa é melhor
Do que pensar com a cabeça de alguém.

dezessete de dezembro, quase dez de janeiro.

Eu quero um bom motivo
Pra enquadrar esse poema
E pregar na parede da sala
Da nossa sala, até mesmo apertada
Esse aqui eu não vou rasgar
Nem escrever outro no lugar
Com você nunca vou ter saudade pra chorar
Nunca saia de perto de mim

E se eu tiver saudade
É porque está em outra cidade
Mas volta depois de trabalhar
Eu e as crianças pra cuidar
Não vou deixar você ir
Venha sorrir
Venha dormir
No meu colo pra sempre

Vou te ensinar a cantar
Mais a vida que é assim, tanta
Grande, imensa, e depois da janta
O mundo pode desabar lá fora
Eu não tô ligando pra tempo nem hora
O que importa pra mim é agora
Seja meu lar.


segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Ponto de vista da paz.

O cara que rebaixa o carro
O cara que só vê TV
O cara que fuma cigarro
O cara que não pagou pra ver
Tudo o que não concordo
Não me faz o dono da verdade
Mas já que eu tenho voz discordo
O silêncio nunca fez amizade

Se a fumaça cheira bem pra você
Não sou eu quem vai te convencer
De que talvez seria melhor mudar
Você talvez nem concorde com meu caminhar
Só espero que possamos concordar
Que nada disso é melhor do que amar
Que nada disso purifica o nosso ar
E que nada disso vai te fazer ganhar.


Elas duas e eu.

Eu namoro a vida
E minha vida é ela
Namoro as duas
Ao mesmo tempo
Hoje eu sei amar

Eu sou a vida
A minha e a dela
Apaixonado pelas duas
Ao mesmo tempo
Hoje eu sei lidar

A vida é doce
Salgado é o mar
Ela me encanta tanto
Secou todo meu pranto
Só em me deixar ficar

E sei que vou
Prosseguir e te seguir
Sem sair do teu lugar
E mesmo do lado de lá
Eu vou estar aqui

Aqui é você
Você é tudo pra mim
É simples viver assim
Amor, te prometo a vida
Que a gente sempre quis.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Esses dias tantos.

Virou o ano
E a canoa
Que fique todo lugar
E passeie o mar
Sem virar nem bambear

Passou outro ano
E o amor
Que tome o seu lugar
Amor é feito pra amar
E o teu foi feito pra ficar

E o tempo voa
É devagar e nem dá pra ver
Escorrega em nossas mãos
E semeia a terra virando grãos
E o sim da vida mata os nãos

Até a gente chegar lá
Nas montanhas que cantamos
Nas casas que nós planejamos
Nos três ou quatro filhos que tenhamos
Tem o tempo pra passar
E as lições de sustentar a nós
Pra ir
Pra chegar
E ser o que somos um sonho
Entre ontem
Hoje
E amanhã.




terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Dois mil e treze.

Quando passa o ano a gente tira o pé do chão um pouquinho
Um pouquinho mais do que o normal do dia-a-dia
A gente tem anseio de ir rápido ao invés de ir de mansinho
E tenta esquecer o quanto de tempo ontem a gente perdia

Em querer brigar, em pensar que chorar nos traria a aurora
E não querer mais o passado ruim
É moda lá fora e sempre foi

Espero que o mundo do bem não dure só essa semana
Ao contar como foi sua viagem no trabalho ou na escola
Os telefonemas que fez e os abraços que deu em quem ama
E que esses gestos todos durem muito mais que só uma hora

Pra não brigar, em fingir que está bem quando não se está
Esquecendo da dor no peito e das contas pra pagar
Mundo perfeito não há
Mas há ela, meu amor, e pra vocês também deveria haver
Só pra ver no que vai dar
Sair da moda e só sonhar
Sair do chão e ser feliz, enfim.