quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

São Vicente.

Quando eu acordo me sinto longe de casa
Aos sábados não tem mais ensaio na rua de cima
De sexta não tem bagunça até de madrugada
Nem ando mais meia hora até a tua casa, irmão.

Não tem mais feira, nem guerra de espumas
Tem pouca música e muito tempo longe
Alguma coisa tá errada e não tem como arrumar
A gente inventou o tempo e não sabe como faz pra voltar

Acabou os feriados de revezamento das casas pra dormir
Acabou fugir da aula pra fingir ensaiar o Sarau
Já não tem mais a rampa pra descer e um amigo pra abraçar
Eu reclamava demais e agora sinto saudade daquele lugar

Saudade de estudar, de ganhar a cola e ter medo de usar
Dos abraços do Mala e da piada da preguiça
Do Caio roubando giz do professor
E o Tales crescendo e mostrando ser um cara cheio de amor

Sei lá pra onde a gente vai, só não nos daremos adeus
Queria ter 30 anos e dormir na casa dos amigos meus
A gente cresceu demais e viu que não dá pra fugir
Mas o bom disso é a certeza do que vai sempre vir
E que venham sempre vocês!


segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Ainda tem tempo.

Ainda tem tempo
Pra aprendermos a passar
E lavar e cozinhar um prato
Pega o biscoito mais barato
Que o que importa é o nosso amor

Ainda tem tempo
Pra um pouco da chatice dissolver
E viver só pra ser o teu lar
A melhor coisa foi te encontrar
E em todo frio que houver vou ser teu calor

Ainda tem tempo
Pra aprender a dar de mamar
Trocar fralda e buscar na escola
Nas nuvens a gente não se esfola
E nesse caminho não há onde tropeçar

Ainda tem tempo
Pra separar o dinheiro da água
Da luz, da internet e do sofá novo
Pra quando faltar sal ou ovo
A gente vai aprender como lidar

Ainda tem tempo
Pra deitar no sofá cansados do dia
Que passou e acabou de acabar
Mas ainda tem tempo de beijar
Como beijei a primeira vez o meu bem

Ainda tem tempo
Pra escolher a praia e o vestido
Pra gente casar
Entre o sol e o luar
E enfim, só ser feliz
E só

Ainda dá tempo
Pra juntar uma grana em janeiro
E escolher um lugar pra viajar
E do lado de lá
Mais sonhos vão surgir.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Ar e a argila.

Escuro é um breu por opção espiritual
Se entrega e se joga num buraco individual
Sem dividir nem rir as belezas dessa vida
Se acordo e levanto, a guerra não está vencida
Pelos outros, sem-tetos e famintos vão levando
Uns até o amor, mesmo ao sobreviver vão edificando
A sujeira na cara e cheiro ruim não diz nada
O olfato e o tato são uma dádiva afogada
Nunca soubemos usar os nossos dons para construir
E o dom do pensamento a gente usa só pra se excluir
Tirar o seu da reta e culpar o colega do lado
E erra também quem acusa o outro de estar errado
Todo mundo merece a chance, quem perdeu vai embora
Na vida não fila, repescagem, livro de auto-ajuda e escola
Na verdade até tem, mas isso nunca será viver
Tem muito amor sobrando até em quem não sabe ler
E ninguém vê isso, engraçado é o pranto
Que cai dos olhos da estátua de um santo
Água se cria no ar, no suor e na saliva
Só que pra sangrar precisar ser matéria viva
Eu vivo transpirando amor em meus cantos
E renascido esse amor que retorna dos prantos
Nada simplesmente se deixa, e nada vamos levar
E na passagem vamos ver que a maior dádiva de viver é estar vivo
E respirar.




Tudo.

Amor
Vou sendo o que sou
O acaso me perdoou
E hoje me presenteou
Com você sendo o que eu sou

Eu sou você
Pra te entender
Eu só quero querer
Espero da vida viver
O gosto de só te ter.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Atmosfera.

A vida é eufórica simplesmente por ser
Cidade grande, coração grande, buzinas altas
É difícil demais controlar como se viver
Temos asas mas aceitamos ser só pernaltas
Pra usar as pernas
E só.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Chambre.

Vim aqui falar qualquer coisa só pra tentar esquecer
Quero me concentrar nessas palavras e esparecer
Não aguento mais ser esse eu assim

Uns viveram tão depressa, trituram-se com seu futuro ímpar
E eu tentando remar pro lado certo acabo sofrendo do mesmo mal
Todo mundo olha pra cima, não vê nada e acha isso tudo legal

Evapora todo bem e fica impregnado todo choro
Vai embora os ventos bons e chove só esporro
Não consigo me concentrar, desisto.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

"Aspas."

"Nem sempre se vê lágrima no escuro"
E eu ainda tô com a luz acesa no quarto
Claridade demais, acho que vou apagar

"Nem tudo que é bom na vida dá futuro, cara"
Essa eu ainda nem escutei de verdade
Mas eu sinto que alguém quer me falar

Chega de aspas, de dores esquisitas e a sensação de não existir
Saí do ócio pra me curar e acho que errei de bula
O amor é a cura
Minha vida não é burra
Só porque a de vocês está morta
E é manca e mula.

A revolta dos surdos.

Eu sei que eu não tenho toda a razão que Deus aplicou aqui na terra
Nem todo o amor que nos foi enviado pra tentar caminhar nas margens do mar
Ninguém me vê de perto e diz: olha, ele realmente é aquele que está pronto pra guerra
Até porque não teria graça ser feliz de fato sem nada pra me fazer transtornar

Tudo em minha volta, sou tudo ao mesmo tempo que nunca fui ninguém
Nem deu tempo de estudar como eu fui babaca em tomar aqueles goles a mais
De qualquer bebida que me botavam na boca até o dia que parei de dizer amém
E eu nunca soube como é... como que dizem nas canções? "estar sentado na beira do cais"

Eu já vi como é aqui embaixo lá de cima e lá em cima daqui de baixo, uma beleza
Sentir o vento bater e arder os olhos é a sensação que sempre vão nos presentear
Pra eu me sentir vivo mesmo carregando uma flor como a minha maior riqueza
E se os céus, as flores e os ventos permitirem: você pra amar.

Eu realmente sou tudo.

Hoje eu sei a diferença
Entre a dor no peito
E o frio na barriga

Hoje eu não sei lidar
Antes eu sabia
Manter a mente entretida

Manter os pés fora do chão
Sem cair de bunda nele
Sem sentir tanta dor

E sei lá o que aconteceu
Me transformei num monstro
Que só busca amor e amor e amor

Aqui isso parece pecado
Ter demais é incorreto
E sou meu próprio breu escuro sem calor

Sou a minha sentença
Sou nada do que quero ser
Eu sou a cara estampada da dor.

sábado, 17 de novembro de 2012

Poema pra amigos.

Eu queria o meu lar antigo
Mais acabadinho, sem móvel planejado
Mas que sempre tinha um amigo
A qualquer hora que eu olhasse pro lado

Eram trinta minutos de caminhada
Pra ir na casa de um dos três
Não havia tédio nem vida parada
Hoje eu mal vejo vocês

Eu queria tocar uma música qualquer
Daquelas que não sabemos mais fazer
Mas mudou tudo, venha o que vier
E de nada disso eu posso me esquecer

Dói, mas sei que tem que ser assim e outras coisas boas me rondam no agora

Lembro da noites viradas
Cordas quebradas, peles furadas
Lembro da gente estudando inglês
E de como eu ia bem em português

Lembro das partidas de futebol
E da gente atravessando correndo aquele farol
Que nunca abria e era um perigo
Um puxando o outro pra salvar o amigo

Lembro da rampa cheia de árvores e folhagem
Pena eu ter perdido tempo demais com bobagem
Eu queria voltar do começo pra aproveitar
E não sentir essa dor por saber que desde aquele tempo eu sabia amar

Eu só não sabia nem um pouco lidar
Eu deveria sim ter parado só pra escutar
E hoje, aquele adeus me veio na mente
E o que deveria ser bom não me deixa sorridente

Espero que ainda tenhamos muita coisa pra dividir
E que brinquemos de voltar no tempo pra sacudir
Essa vida com hora pra tudo e regras demais
E que se for pra terminar, não seja mais.









Ensaio sobre a bobeira.

Eu tenho inveja, ódio, força
Eu tenho tudo que um humano tem
E muito mais do que outros humanos

Arrogância? Pode ser, pois também tenho o mal
Por ser humano, um terráqueo invencível
Qual o problema de confiar em mim?

As minhas ideologias, meus textos, meus poemas
Me servem de guia e qualquer outra merda dita
Na maioria do tempo que se foda, se ferre, se exploda

Execução de entidades que faço nos dentes
Quebrando em dez pedaços o maligno da minha mente
Se fudeu, perdeu sua hora, agora e aqui é o meu lugar, só meu

É o medo que eu assisto com cinto de segurança
Sem botão de destravamento ou botão de mudo
É um lixo, é um risco, é um tolo enfraquecido

Só explodir em palavras profanadas e arriscadas
Eu só quero que se exploda o mal que não habita aqui
Só quero o bem, só quero ir além do que vocês

Profano é o gesto de cegueira, a caganeira de medo
Em protesto sob os corpos tão fracos quanto o amor
Frágil, e se é assim, eu tô no mundo errado

Sagrado é a morte do bem pra buscar as respostas já dadas
Meia hora pra rezar, meia hora pra chorar, outras dez pra morrer
Em vida, em nós, em vida, numa merda de redundância

Exporta pra longe todo o sanguinário e justo delírio existencial
Só precisamos entender e lembrar que fevereiro é carnaval
Eu posso tocar, eu posso vencer, eu posso nem gostar

Sadio e vivo me sinto e a culpa não é nossa se não é assim
Pra ele, pra você, ou pra quem quer que seja, de longe ou de perto
E riu, e aplaudiu, do jeitinho que o meu ouvido ontem ouviu

Saber dizer, saber ler, saber viver, ou até mesmo saber ser alguém
Não diz nada quando as bundas-moles se voltam na frente do pau
Fraco como móvel de madeirite pra economizar meia dúzia de real

A gente economiza os esforços que tem pra vencer e chora tudo
A gente quer abraçar o mundo e deixa escapar as vezes a pequena parte dele que era tudo
A gente caça com lança afiada o amor, acerta o meio do coração e termina com tudo

A gente não sabe de nada ao mesmo tempo que eu acho que já sei de tudo
E sim mundo, são os fracos nas redes tão bambas quanto as minhas pernas acelerando
O carro numa descida curva enquanto a mente pensa pro braço não esterçar
Aí acaba toda essa confusão mental, espiritual e experimental de provação
É aprovação, nada mais que isso , no meio de um vaco chamado eu
Não sinto ar, não vejo nada e preferia me fingir de morto essa semana
Eu só busco escrevendo coisas novas ao invés de ler o que já foi dito
E questiono a fraqueza estampada na testa de quem não luta nem contra si
E qual é o problema? Ser demais num mundo de metades e mentiras
Só podia dar errado
E deu
E deu.

domingo, 4 de novembro de 2012

(Des)esperar.

A todo vapor
Navego o mundo
Sim, sinto dor
Mas assim sinto tudo
E algumas vezes
Prefiro a reclusão
Mas aí renasço
Faço um bumbo do coração
Pra marcar os passos
Pra me realizar
E quando o vento vem
Ele me ensina a voar
Pra longe
Pra perto de você
Pra onde eu toque
Pro teu travesseiro
Viajei o mundo inteiro
Sem sair desse lar
No fim, no mesmo lugar.

sábado, 3 de novembro de 2012

Mais que tudo.

Ao ápice dos nossos corpos suados
Ao calor dos nossos colos juntados
Só há um caminho

Ao ápice dos braços entrelaçados
Aos peitos batendo juntos e acelerados
Só há eu e você

Aos gritos que  foram poetizados
Aos desejos que foram liberados
Não há mais nada pra impedir

Somos nós mesmos sendo tudo o que podemos ser, seja lá qual for a forma que será
Será que somos mais do que simplesmente só ser? Sendo assim eu sei que nós seremos
TUDO

MAIS
QUE
TUDO.


Em todo rancor há também a sua cor.

A maioria das palavras que já ouvi
Das bocas abertas pelo mundo
Não se confirmaram no meu

Todos conselhos que esqueci
Tem o dito raso e não-profundo
Quem disse também esqueceu

O dinheiro precisa vir antes do amor
O sucesso precisa vir antes do coração
O prestígio precisa vir antes da dor
E o poder não deve ter outra mão
Pra se apoiar

É o ensaio da cegueira da retina do peito
Vejo tudo embaçado e sinto um aperto

Voe por onde quer
Siga por onde vai
O coração
Ande por quem for
Que assim o amor
Será seu chão

Escondendo os pratos rasos descobri que eles são úteis na hora de socializar
Com um mundo meio doente e que manca de preguiça de aprender a sonhar
Frenética só a ganância de pegar a vida vaga que tem pra esconder e maquiar
Sendo que de braços abertos aos céus, somos nada mais do que nosso próprio ar

Não há cor
Nem rancor
Não há valor
Nem dor
Só há
O tal do amor

Deus é todo o bem que vestimos, todas as cores vivas da cidade
É tudo o que fingimos não ver pra destruir mais a humanidade
Viramos as costas pra um momento que cobra de nós a delicadeza
E no meio de tantos olhos fechados confundimos o vazio...
Com alegria e beleza.




quinta-feira, 1 de novembro de 2012

A correnteza que leva a rima do último verso é a mesma que levou os pensamentos fracos daqui.

Eu tô gostando da vida acordado
Perdi a obsessão de dormir
Pra fingir

Deixa a vida ser quem ela quer
Que eu caminho junto ao vento
E me contento

Espatódeas e poemas são teu coração
Numa forma de nova natureza
A fórmula da beleza

E é honroso abrir a porta com boas-novas
Assim a correnteza não te trai
Nem me atrai

Por causa dos anjos que eu conheci
Em sonhos, palestras e ruas
Minhas ideias nuas

Surgem formas novas de interpretar
A peça que fiz pra esconder
O medo de viver

E se agora o fogo começa a queimar
Sou toda a água salgada do mundo
Sou assim, profundo

Façam silêncio, é hora de dormir
É bom descansar, mas hoje prefiro acordar
E aos sonhos partidos
Aviso-lhes que esse não é o fim.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Deu sono e só rimei no final.

Meus sonhos tem mais andares que o meu prédio
E eu descobri esses dias ser maior do que esse quarto
Pra fugir da minha fraqueza, dormir foi o melhor remédio
Doze horas de sono e parecia sentir dores como a de um parto

Sonhar é a minha consciência de que vai ser foda assumir meu mundo
No começo a gente se perde no meio de tanta coisa acontecendo
Mas isso não causa medo em mim de sempre querer mergulhar bem fundo
E mesmo que perdido em tiroteios e armadilhas, sei que estou vivendo

Hoje durmo menos e quase toda noite tenhos pesadelos conturbados
Amanhã acordo cedo e não sei fazer parar tudo na minha cabeça
Amado
Não que mereça.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Eu ao contrário do que talvez já tenha usado como título.

Estamos ao contrário
De cabeça pra baixo
Vezes sem rima
 Vezes sem chão

Aplaudimos os errantes
Veneramos as bundas
Vezes sem ver
Vezes  sem ser

Real é tocar o céu
Existir é voar no chão
Ofício difícil
Esse de viver

Suave o sabor do vinho
O encaixe dos corpos
E lá fora
Tanta solidão

Mas sim, sou feliz
De fato, aprendi amar
Mas aqui dentro
Quero mais!

Nada.

E a gente passa por cima de tudo
Os astros e espíritos vão nos guiando
Passam os dias e fico mais profundo
Pra ter forças de ficar festejando
Estou vivo
Estou aqui
Sou tudo
Eu sou o bem

E a gente esquece de um tal problema
Só pra uma vez o amor nos testemunhar
E enquanto me cutuca esse dilema
Sei que nada mais me impede de cantar
Que estou vivo
Estou bem
Sou amor
Sou alguém

E nessa onda de lavar o peito e a alma
Faço reviver os livros lidos pela metade
Pra ver se quem sabe o coração acalma
E aprende a não se importar com a maldade
Do mundo
De nós
Dos amores
De ninguém

E a gente que não afina nunca essa voz
Sem cantar fica mais difícil proceder
Sem cantar fica difícil falar sobre nós
Mas só vai ficar pior quando o sonho morrer
Em mim
E você
E sermos
Quem?

Segunda-feira.

Emanarei sorrisos que separei só pra ti
Renasço toda vez que te vejo aqui
Teu cheiro ontem me contou tudo
Todas as verdades, todo amor que existe
Eu respiro
Solto esse ar
E vivo
Sinto ser alguém

Reerguerei todos nossos castelos de amor
Mesmo sendo segunda e sentindo dor
Pois a cura de tudo estão nas plantas do jardim
Que você, com as tuas mãos, cultivou
E eu sinto
Solto no mar
E revivo
Sinto ter alguém

Hoje quando me ver
Chegue já me contando
O quanto sente, o que pode sentir de bom
Me roube um beijo
Roube meu ar, meu coração e meu corpo todo
Que além do jantar
Eu te sirvo um mundo cheio de abraços
De laços
Beijocas
E claro, o tal do amor
Que nós temos
Na mão
Ah, tua mão
Que nunca me largue
Nunca!

sábado, 27 de outubro de 2012

Ninguém, todo mundo,

Eu tenho sede demais, e todo mundo entende que eu quero a fonte só pra mim
Sendo que eu só quero beber o amor que eu sei ser capaz de devolver em dobro.

Eu sinto demais, e todo mundo entende que faço parte de uma peça dramática de teatro
Sendo que eu só tomei consciência: aqui embaixo não se ensaia pra vencer.

Eu tenho palavras demais
Hoje eu vou guardá-las
E se amanhã eu dizer todas
E se ninguém ler
Eu apago a luz e durmo
Pra tentar amanhã
Outra vez.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Perdido dia sim dia não.

O meu silêncio conta os meus anseios
E a espera de ser compreendido é sempre assim
Corrosiva, dolorida e um pouquinho banal
As vezes banal demais
E entre tantas frases escritas entre tantos barulhos
A única coisa que ouvem é o que sai de si
Sem saber o que falar, sem saber o que quer
Buscando uma métrica que não leva a nenhum lugar
Coisa que dá pra perceber que eu não busco
Pelo menos não nesse verso imenso
Sem rimas e todo sem estrutura
Assim como é exatamente algumas noites aqui
É desistir de tudo, é ser um vencedor
Tudo se mistura em zilhões de caminhos cruzados
E a luz ali, acesa, mas que não é tão capaz
De iluminar coração nenhum
Com tanto vazio e tanto espaço preenchido
Como um almoxarifado imenso e em desordem
E ordem, pra mim, é amar
Seja na hora de agarrar o vazio ou o corpo de alguém
É sempre um desafio a cabeça parar de funcionar
E quando me cobram generosidade
Lágrimas caem com tanta cegueira que passa por mim
E enxergar eu ficando cego, dói
Sei lá, estou perdido dia sim, dia não
E me encontrar
Depende
Sente?
Sim?
É!

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

E se não? E se ser? E se é?

Meu violão virou meu inimigo
Minha bateria sempre bem longe
Minha guitarra foi vendida pra alguém
Que nem sequer sabe tocar

Muitas músicas que fiz já perdi
Outras palavras nem quero achar
E alguns sonhos eu deixei ali
Dormindo enquanto fui trabalhar

Alma, som, vento no cabelo e olhares
Sejam fechados e escuros
Sejam abertos e ainda cegos
Mas só a retina insiste em funcionar

E além
Não fui
E nem sei
Se irei
Mas vou
Ser eu
E relutar
Pra não morrer
Não abortar
A missão

E sei lá, números não atraem
São só incerteza e inquietação
De não poder tocar nada real
A falta que faz um coração

Freios de carros, freios de andares
Terno engomado, cabelo cortado
Pra quem tem medo de carregar vazios
Que o tornem o fio da contramão

Que o tornem nada além daquilo
E que façam ter muito além do juízo
Escravo do vento, a não posse, a morte
Em vida, um colapso que virou esporte

Que vai
E vem
Tão óbvio
Quanto as rimas
Que aqui
Faltaram
Como faltou também
Sentido pra crer
Em Deus, em ser
Alguém
Tão azul e belo
Quando o céu.

domingo, 21 de outubro de 2012

10 minutos.

É simples
O que está lá
Que fique lá
E o que não vivi
Não preciso ver
Maluquice e bobeira
Pode até ser
Mas querer ser
Tudo 
Não é pecado.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

.

"Cavar demais o buraco de amar". Se questionar se deve ou não fazer isso em vida, pode ser uma forma de, logo no plano escrito, evitar a dor e procurar outro ofício. Seja a luz elétrica ou a luz do sol, dane-se, pois foi de olhos fechados e no escuro que aprendi o que é amor. Sim, eu já sei! Mas não tenham inveja, é ilusão pensar que esse saber torna as coisas mais fáceis. E o que eu posso dizer é: retina nenhuma te mostra o caminho, experimente o calor da mão entre dois corpos e duas almas que talvez tudo se esclareça, mesmo que ainda sim, cada um tenha uma forma de amar. Como eu definiria a minha? Maior do que eu sei. Bem maior do que eu sei que é, e se isso é positivo, talvez minhas músicas e meus sorrisos respondam daqui alguns anos. Essa espera...

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Eu e nós, eles... é de ser e liberdade!

Eu lá em cima
E três no chão
Nós por todo canto
Eles dizendo não
É assim, de misturar
De ter medo demais
Ser expectativa
E ser visto como nada
Liberdade! Venha ver
Do lado de dentro
E de todos os ângulos
O que é não existir.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Boas vindas à minha imaginação.

Eu não sei
De muita coisa
Mas eu sei
Sonhar

Eu quero ser
Mais que alguém
Pra um projeto
De gente e felicidade

Sei sim, problemas vem
Mas te dando colo
Eles se vão
Junto com o mal do mundo

Quero ser
O que não tive
E posso ser
Bem mais do que eu já sou

Assim, parar teu choro
Curar tua dor
Ser teu tudo
E me sentir vivo

Se isso é loucura
Sou louco sim
Se é pressa
Corro sem parar sim
Se é amor
Posso chegar
E vou ser o porto
De alguém
Que nem existe
Ainda
Mas quando existir
Vai ver
Melhor do que eu
O que é
Amor.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Sarau.

Me afastei um pouco dos meus ouros pra procurar algo especial
Um sabor aguçado de afeto que sempre fui louco pra provar
Outra dimensão com menos rostos e mais pensamentos pra soltar

E aí a gente já nem sabe mais o tamanho do que é ou não especial
Parece que nunca usam artifícios pra tentar, quem sabe, se salvar
Parecem copiar os semblantes de arrepender o que a boca foi falar

Eu me perco um pouco mais, todo dia, pra ser alguém especial
Deviam saber que isso nasce daquilo tudo que é palpável de amor e real
Infelizmente só tenho palavras, e não marchinhas de carnaval
Pra oferecer à vida minhas obras artísticas em forma de Sarau.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Ser seu, seu ser. (pra Thaís)

Vai por mim: vem por nós!
Que salvação é gritar pro amor
E naquele caderno quero transcrever
Todas histórias que ainda ão de ser

Pra dar passos pares, belos, traçados
Pra nunca calar os sonhos um do outro
Por tudo que for, eu pago pra ver
Flores de todas as cores que possam nascer

Em nós, pra mim só há você no bloco
Peito aberto que fiz e guardei pra ti
Dividir meu bem, minha alegria, meu crer
E sonhar todo dia em nunca te perder

Na parede atrás de mim, tem eu e você
Fotos preto e branco num charme sem igual
Pois o colorir deixamos por conta de viver
Pra voar, tocar, agarrar, tudo que ainda podemos ter

Por acaso eu te encontrei... por acaso nada!
O amor da minha vida veio pois era isso e só
Só o que eu precisava pra continuar a crer
Que tudo era planejado
Deus e os ventos tinham preparado
Pra nada disso dar errado
Acho que já tinha me apaixonado
Quando só de longe
Escondido e ansioso
Queria te conhecer
Reconhecer, depois de anos
Quem diria? Eu diria!
Que sempre pôde ser você
E agora vai ser
Thaís, nunca vai precisar temer
Eu vou te proteger
Zelar teu adormecer
Ser
Seu
Seu ser.



sábado, 29 de setembro de 2012

Bê a Bá do AbC.

De São Bernardo à Santo André
Há quem saiba ainda ficar de pé
De Santo André à São Bernardo
O momento da arte ainda é amado
Salvem as guitarras
Guardem os versos
Eles ainda vão salvar
Eu e você.





sábado, 22 de setembro de 2012

Há quem exista.

Há quem escreva sobre uma saudade de meses
Há quem cante algo sobre um ano de saudade
Há quem chore de saudade por dias e dias
E existe eu te querendo por perto toda hora

Há quem tenha perdido um grande amor
Há quem deixou a rosa do vaso murchar
Há quem descobriu o que é a solidão
E existe nós, sendo tão fortes pra sonhar

Há quem desistiu no meio do caminho
Há quem carrega ódio ao invés de amor
Há quem não encontra um ombro pra repousar
E existe eu, imaginando um canto só nosso

Nosso mundo
Nossa sala-de-estar
Nossos quadros na parede
E a mesa-de-jantar nova
E no meio disso já existe nós
Fazendo nascer carinho nos dias
Sendo melhores amigos 
Dando os melhores beijos do mundo
Vivendo o mundo, construindo outros
Onde haja mais de nós em mais horas
Em todas as horas

E em paralelo disso
Torcendo pra que haja sempre
Quem experimente disso também
Há quem acredite
Há quem arrisque
Há quem voe
Como nós.

sábado, 15 de setembro de 2012

Mi agudo estourado, primeira corda da vida. Minha.

A métrica dessa poesia
Vem da corda estourada
Do meu violão.

A vida nessa passagem
Vem de águas poluídas
De um tal coração.

A razão de todo rancor
Vem do vazio em crescer
Sonhos vem em vão.

A grade dessa janela
Impede minha consciência
De voar e cair no chão.

A foto que memoriza
Vem de outras mil coisas
Que mudaram de posição.

A vontade do tempo passar
E desaprender o descanso
Aguça os movimentos da mão.

A mão escreve sem a mente
Relógios agonizam terrores
Não quero ver a vida sendo um não.


quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Só desejar ser o bem.

Pra entender a métrica
Ou até a falta dela
Aprendi amar.

Pra saber do amor
Ou só senti-lo
Aprendi respeitar.

Pra parar a cabeça
Ou só dormir bem
Aprendi encorajar.

Pra ser introspectivo
Ou me entender
Aprendi esbanjar.

Pra esbanjar sorrisos
Ou só boas intenções
Aprendi, mais um pouquinho, amar.

Amar, amar, amar, amar, amar, amar, amar, amar
Respeitar, respeitar, respeitar, respeitar
Encorajar, encorajar, encorajar
Amar.

Temporário.

Eram folhas de papel
A caneta a escorregar
Desenhando um mundo
Onde não pude ficar
Tudo muda ao vento
Quando decidiu soprar
Levou minhas cartas
E o que eu quis cantar
Vai, deixa a vida ver
O quanto estou vivo
Ver, que vivo estou
Sentindo que o tempo vai.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Um.

Cai
Sai
Como vai?

Bem
Também
Disfarçou?

Sim
Não
Mas será?

Devo
Mereço
Serei feliz?

Sou
E sou
Tão estranho?

Sou
Sim
Devo ser?

Mudar
Voar
Como aprender?

Soa
Som
Vai cantar?

Questões
Refrões
À desaguar.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Apelo ao meu melhor amigo.

Ei, você sabe que é
Pode se sentir seguro
Ei, mas larga do meu pé
Meu melhor amigo está mudo
Viola, violão, violãozinho
Deixa eu cantar com você
Sobre amor, dor, beijinho
Não faça eu também emudecer.

Pós-graduação em sentido.

Anestesia pra dor de parada cardíaca com sintomas de desgosto seguido de desdém
Pra sempre ter uma desculpa no bolso e usar na poesia que explica não poder ir além
E no outro bolso um lenço que sempre seca o suor de quem se permitiu só partir
Deixando rastros de esforço não correspondido, graduado em sempre saber fingir
Soa tão cômodo uma canção explicando sobre problemas que não vamos enxergar
Deixa pra lá, vemos isso depois, amanhã falamos sobre isso, agora vamos descansar
Desaprender a fingir é dádiva vinda de abrir os olhos e encorajar a alma, a mente
Assim como fingimos quando um grão de areia esmaga os sonhados sonhos da gente
E o que faz sentido então?
E o que é ser feliz então?
Pergunte ao seu coração
Você tem todas as respostas
Na palma de cada mão.

Lembrando de ir pra Paquetá pra sentir Los Hermanos.

Tenho só dezenove anos
Dei uns dezenove passos
Curtos demais pra cansar
Poucos até pra desanimar
Mesmo por um instante
Merda não tem na estante
Eu guardo os dias a mais
Que me senti tão capaz
Ser o que serei, assim será
Semente regarei, em Paquetá
Dizem ser de paz tal lugar
Pois é: tenho que visitar.

domingo, 12 de agosto de 2012

Você algumas vezes, você todas as vezes.

Preciso lembrar
Do paraquedas
Evitar quedas
Indesejáveis assim
Preciso tirar
Os para-brisas 
Pois tuas brisas
Me fazem sorrir
E vou colocar
Os meus sapatos
Pro andar de dias chatos
Não calejarem no fim
Serei teu mar
Sentir cê desaguar
Que é pra vida chata
Ter lugar pra mim.

De cá pra lá.

Só ir de cá pra lá
Nunca houve graça
Não conseguir chorar
Me soa como ameaça
Assim como os ventos
Que ajudei a soprar
Assim como os tempos
Que foram sem me tocar
Tudo em minhas mãos
Sei lá se é bom pra mim
Vejo homens nem tão sãos
Mas nem tão perdidos assim
É tudo assim de escolher
É tudo assim de evitar
Difícil é se defender
Do que insiste em me achar
Eu sei sentir amor
Eu sei que sei amar
Só não sou bom com a dor
De ser difícil perdoar
O que talvez nem mereça
O tal poder de um coração
Sempre sirvo na mesa
E sempre sobra compaixão
No almoço e no jantar
Tanto faz o lugar
Como fez no quarto andar
Alguém pronto pra viajar
E fugir daqui
E dali
Sem ir de cá pra lá.



quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Paramar e eu.

Eu senti preguiça de explicar o que minha alma sentiu
Eu tenho medo de ser um monstro que nunca ninguém viu
Eu sinto coisas que não abro mão de carregar
Eu carrego muita coisa que me faz questionar
Deus, eu sinto medo de ter meu próprio caminhar
Pensar, achar, chame como quiser
Eu só não sei parar
Mas sei amar
Ar


segunda-feira, 30 de julho de 2012

A gota da água que eu inventei sem querer.

Alguém aí em cima abra as cortinas de nuvens amanhã ao amanhecer, que eu quero sentar pela manhã num banco qualquer que servirá de arquibancada pra eu olhar nos olhos da vida e encontrar as minhas respostas, ou só assistir o espetáculo mesmo. O que existe em outros corpos talvez não caiba a mim guiar, portanto, eu irei ao meu encontro, vou precisar de mim. Se isso me resta, talvez eu deva sorrir pra tal condição, já que a surpresa será contente se for um encontro ao acaso com uma gota de água, ou algo pequeno que aos meus olhos vai precisar ser sublime.

Jogaram fora o que eu não jogo.

Utilidade demais em mundo cego
Como remédio que cura dor
De amor, e pra si mesmo se mente
Coração batendo que se faz de doente

Semblantes moldados como filme de drama
Pois muitas vezes não vejo espaço pra ser
Nem transcender, o que temos na gente
Eu só queria um lugar bem diferente

Daqui de baixo não vejo mais nada
Mas cegueira cura num instante
Na estante, empilho o que vou dizer
Pra inventar a cura de não querer viver.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Pode ser eu, pode não ser.

Derrotando em mim
Nascendo em nós
Sendo algo enfim
Que nunca fui a sós
Tirando meus medos
Tirando meus sonhos
Nascendo mais medos
Perdendo os sonhos
Isso não é poesia.

Horizonte do eu contra o meu.

Eu sei que eu não devia querer demais o que eu nem sei o que é, ou talvez só saiba que nesse mundo o pessimismo é maior que a fé. Se a roda gigante faz você sentir a sensação de poder ter uma parte maior do mundo perto de você e ao seu alcance, como se explica o medo de altura? Se não é necessário genialidade pra perceber que a guerra, o ódio e o mal não resolveram nenhum problema, porque ainda lutam? Eu não sei onde eu vim parar, eu não sei qual é o plano, mas preciso achar a porta de emergência do mundo.

Entre meu jantar e as palavras.

Vejo uma lista enorme como a ironia do poder de um grão de areia. Deveria ser perceptível, é escondida atrás da cegueira que impede os ideais do amor tomarem conta de tudo. Braços enormes pra abraçar, pensamentos que fluem a favor do vento que segue o caminho do bem, fragmentos visíveis mesmo de olhos fechados que curam, e o mundo preocupado com interesses vazios, preocupado em nunca se preocupar. Ah, e em relação a lista, espero um dia lembrar do que se trata, vocês aí me fizeram esquecer, mas eu sei que deve estar em algum lugar em mim.

Ao contrário e eu inverso.

Ser o caminho certo
A maré vai levar
Ter o ar tão quieto
Sem sequer soprar
Dói se não saber
Anos vão deixar
Dor a se esconder
Flores a murchar
Sendo que não sei
O que é dor no coração
Mas sei que reparei
Agora estou no chão
E se existe um Deus
Que seja de amor
E que todos beijos seus
Sejam ao meu calor.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Estou indo me buscar.

Por ali voa a folha
Por aqui vou bem
E dentro dessa bolha
Eu seria menos que ninguém
Hoje eu fui de zero até cem
Hoje eu encontrei alguém
Hoje tiro os freios do trem.

Por aqui notícia boa
Por ali estou bem
Também, agora a nota soa
Abri os ouvidos, enxerguei
Hoje eu fui premiado
Hoje eu sou amado
Hoje devo ter encontrado, mas não a mim
Falta ainda um bocado
De caminho esburacado
Mas o destino é abençoado
E saber amar e ser amado
É o volante pra eu ser guiado.







Introdução sobre ir até lá e ser.

Respirar é uma arte, assim como é pintar um quadro
Amar é uma missão, assim como seria fugir de tanto estrago
Ter paz é aceitar, assim como já sei que talvez eu não fique pra sempre magro
Ter beleza é estar vivo, assim como o que me faz bonito é o que hoje eu trago
O que amanhã eu levarei, o que ontem eu cantei pra vida, e tem dias que eu só guardo.

Quero poder dividir mais, somar mais, sonhar mais
Entender que o diferente pode até ser muito mais
Mais do que um, mais do que outro, mais do que muitos
Mais, muito mais, um pouco mais
E não posso discordar que tudo é grande, não mais
Isso é precisar de mais
Isso é querer ser mais
Isso é ser
Bem mais do que muito mais.