domingo, 29 de dezembro de 2013

Mar.

Liberdade pelo mar escuro
Somos um ponto nulo
Nessa imensidão qualquer
Sem sequer a luz da lua
E ainda sim encanta os olhos
Que vêem muito pouco e sabem
Mesmo assim, ainda sim
Que se sentir é preciso
E o farol nos tira a natureza
De aprender sobre nós e se encontrar
Encontro vida numa ideia de lampejo
Nessas casas eu só vejo silêncio
Salga nosso corpo e molha com desejo
E o oceano tão extenso vai repousar
Fazer brilhar o que não é possível
Fazer vibrar em nós o que não é cabível
Quem inventou o caminho até o lugar ao sol?
Talvez isso se resolva com 20mg de Beserol.


domingo, 22 de dezembro de 2013

Litros.

Quando sobem os degraus
Assim, um de cada vez
Ignoram o de baixo
Sem lembrar que podem precisar descer
E como todos sabem
De dois em dois é fácil
Encurtando o caminho
Sem lembrar que a gente pode se perder
E enquanto nasce o dia
Subindo as escadas do céu
O sol na fala figurada
Em sua forma mais bonita de ser
Entretanto, minha amiga
O som das cordas eu divido
Em nós a nota sugerida
Contanto que essa falta não me faça morrer

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Seu.

Sou o sol sobre nós
Querendo brilhar
Ao menos nascer
Ao menos dizer
"Tudo o que eu tenho é você"
Que é tudo e devo aprender
O trabalho e o coração
Aprende comigo uma coisa:
Se eu me perco demais
É pra entrar na minha vitória
Tão minha que é difícil explicar
E tão tua por ter sido só você
Que deu a vida, os dias, os sonos
Pra que eu voasse longe assim
Entenda, eu só quero fazer valer
O que eu mais te desejo na vida
Além de amor, um rio dele
Um mar de sonhos
Pra gente sempre se encontrar em paz
Aqui ou lá atrás
Desculpa pela louça
Pelo choro de moça
Mas eu vou buscar
Te honrar.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Oi.

Parece engraçado e o calor
Vai suando os sentidos
Dá dúvida e dor
Os ponteiros perdidos
Pra trás ou pra frente
Pra onde eu vou
Pra agradar esse cara
E ganhar o teu amor
Seja sempre eu
Sempre seja minha voz
Não se vá nessa estrada
Não se vá nesses nós

Nós
Somos eu e você
Por sermos felizes
No sonho da casa
Não importa o que eu faça
Te quero na cama
Pra dormir em paz


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

.

Deus, decidi parar
Sonhar não dá
Seja aqui ou em Mauá
Prefiro paredes brancas
Cultivar algumas plantas
Nem quintal eu tenho
Repito em mim esse fim
Ecoa como refrão, assim
Se foi, se vai, acaba, sai
Se vai, irá, acabou, retrai
Sou exatamente o que sobrou
Sonhar não dá mais
Queria um paraíso
Me decepciono com meu sorriso
Cumprimento querendo desviar
Digo 'tá tudo bem' sem estar
Estou acordado sem querer acordar
Deus, não queria parar
Queria sonhar
Me mudar, tão nervoso e fraco
Rivotril não enche meu frasco
Nem o violão enche mais
Não sou capaz
Queria um paraíso
Parar a dor do siso 
Fazer da dor meu riso
Cantar que recomecei
Mas se eu cantar
Vai ser pra agradar
Dar orgulho, dar dinheiro
Ser rentável
Ser lamentável
Não sou retrátil
Sou só meu próprios cacos
Meus pontos fracos
Não faço tratos
Não jogo dados
Só quero ir dormir.


domingo, 8 de dezembro de 2013

Alfredo boêmio e a família da Martha rapsódia.

Quinze anos
Nasce sonho
Morre amor
Puta merda
Que calor!
Volto aqui
Faz-me rir
Sonho médio
Desistir
Voa alto
Bateu cabeça
Faz silêncio
Vira a mesa
Faz caber
A sobremesa
Escrevi poema
Conheci Moema
Almocei arroz puro
Me calei, pulei muro
Tive medo
Não falei com você
Perdi uma amizade
E perdi a saudade
De amigo covarde
Volto aqui
Rimo pouco
Tomei breja
Suco e soco
Coração e reboco
Me sinto um louco
Dedilhei Mariô
Pendurei meu tambor
E a guitarra desligou
Vem correndo
Sai correndo
Tiro ao alvo
Derretendo
Nesse quarto
Todo branco
Mudou tanto
O vermelho
E esse banco
Verde escuro
Roupa em cima
O que emburrece
Queen ensina.




terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Filantrópicos argumentos da biologia envolvente e curiosa das minhas artérias poetizadas.

Institucionalizável minhas artérias
Entupidas com saberes tupiniquins
Mostra teta, vestem Prada os manequins
Contrapontos meio claros para os fins
Frenéticos gritos pela madrugada
Todos pra dentro acumulando dizeres
Heróis reais não poupam seus poderes
Sem vergonha de mostrar seus não-saberes
Hiperglicemia quando encontro as balas
Rasgando peitos de armaduras reforçadas
Todos andam com suas almas baleadas
E a censura já começa nos buracos das calçadas
Recalcadas
Moderadas
Volta e meia dispensadas
Assinando o contracheque
Garantindo jóias douradas
Pracabá a paciência
Vão beirando a demência
Sendo pó, concreto e vidro
Rasga o peito de um amigo
Chorando tua perda
Olha só.

O rock não erra quando escuto 'Subdivisions' do Rush.

Indireta em forma de catarse
A pobreza de barriga cheia
Linguajar moderno na canção
Cópia demente de anos dourados
Busca banal de se intelectualizar
Não preciso de rima pra me expressar
Rimei agora só pra não te contrariar
Espaços de discussões em círculo
Coletivo cultural pro culto vazio
E o culto das 8 continua abençoado
Repetido, venha até nós desmistificar  
Como carência e medo podem vulnerar 
Aqui, eu digo a hora que precisa rimar
O ódio que eu sinto só me faz amar
Chega o fim do ano e o fim da tarde
Fracos são os ricos, chuva pra molhar
Entretendo o povo, ostentando a vida
Que difere o certo do erro de cagar e andar
Escuta o que quiser e bota o pão na mesa
Acabou manteiga, desce seco na garganta
Pois a água encanada tá saindo escura
Como a alma cega que ainda me espanta
Espantem os fantasmas que criaram medo
Fraco sem desejo de até sair pra passear
A ideia era escutar Rush e falar de rock
Mas a mente corre tanto, não dá pra controlar
Sem rima, pé de pato que acelera o nado
Torto ou sincronizado, aqui a genialidade é nada
Só sei sentir mais do que vocês e o sangue de barata
Seca mais ainda em cada frase que me fazem calar.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Nome.

A foto bonita
Efeito de luz
A frase perfeita
E o que não sou
A alma perdida
A fila do SUS
A pele imperfeita
Vou lá retocar
Mantendo o estoque
Sempre cheio de amor
Pra mostrar e esquecer de usar
Acumulo os passos pra cá
Tenho tudo e não sei usar
A mamãe me deu carro
Não me falta comida
E insisto em me esvaziar

A pele bonita
Não brilha na luz
Maquiagem perfeita
Só sei que se borrar, fodeu
Não tenho nada pra mostrar que é meu
Peguei de alguém que não percebeu
Esqueci da métrica 
No poema confuso
Agora vou lá me matar
Na verdade eu morri
Hoje mesmo e aqui
Vou deitar e dormir
Deus não me deixa acordar

Pelo menos não aqui.


quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Boa sorte.

É perceptível por conhecer o fundo dos olhos
A força que se cria no vazio, silêncio na fala
E na escuta um ouvido surdo, cegos nos criamos
Fingindo então pra telespectadores na expectativa
Ter amor pra dar, comentários no site da internet
A recuperação clínica curou o osso fora do lugar
A igreja curou o pecado de matar outro igual à mim
Tá tudo bem, tá tudo certo, música conforme a dança
Muita luz ilumina só o que os olhos evitam tropeçar
Pra mim, o pessoal da alma esculpe a forma externa
Os sinais de luz e barulho da garagem fazem-me esperar
Sai moto, sai carro, motor e peças caindo pelo chão
A carcaça brilhosa e o azul metálico o sol já corroeu
Em mim, em nós, no dinheiro que salvou nossa morte
Na roupa com símbolo significando beleza por esporte
Boa sorte!


terça-feira, 26 de novembro de 2013

Não sei de nada mais.

Não sei nada de glicemia
De compasso e de família
O que é noite e o que é dia
Esculpi o meu sorriso, que agonia
Não sei de nada mais

Não sei nada de futebol
Soltar pipa com cerol
Amarro a linha no anzol
Pesco apenas já no pôr-do-sol
Não sei de nada mais

Não sei nada pra rimar
O que me resta é ir de escada
Quem quiser que vença o jogo
Eu não me lembro da minha cara
Não sei de nada mais



domingo, 24 de novembro de 2013

O íntimo do meu cabelo comprido e a barba por fazer.

Tô dando volta
Dando brecha
Pro tempo que passou
O dia nem raiou
E eu nem dormi
Não me reconheci
Desde aquele tempo
Onde eu sabia existir
Ser cor e leal ao meu endereço
A cidade me mudou
E a minha rua 
Não é mais a mesma
Eu era mais feliz
Preciso admitir
Nem aproveitei
O fundo da minha casa
O violão e as telhas sujas
Pessoas são como corujas
Te observam sem ao menos conhecer
Toda relação envolve vida no começo
Mas depois a luta é não deixar morrer.



domingo, 17 de novembro de 2013

Eu creio em Deus.

Olha só o mundo desabando
E você aí, orando e rezando
Esqueceu de um fundo cultural
Que Deus sozinho não planta flores no quintal
Você é peça essencial
Por si só
Se Ele morreu por nós
Pra quê imitar ainda vivos?
Essa desculpa toda é tão banal
Só pra fugir de um inferno astral
Ou só do inferno
Sem pregos nas mãos, eu vou
Honrar quem quer que seja
Que me deu a chance de existir
Coragem pra falar aquilo que eu entendi
Desprovido de poderes, descobri
Que saber por nós torna mais amplo
O pulo do preto pro branco
É o Exu, a Maria Padilha e o Candomblé
É Jesus, Jeová pedindo grana pra salvar José
Mas eu, eu sou o amor, a dor e o que o mundo é
A flor na forma perfeita do meu livre ser
Respeitando os espíritos por compreender
As crenças alheias pra tentarmos conviver
Nos amando à diferença de não nos parecer
Não me condene, acredito em Deus
Desejo paz pros filhos e amigos seus
Mas no fundo, estamos andando pra trás
Música boa na TV eu já não escuto mais
Meu desejo um dia é só poder agradecer meus pais
Por terem me criado pra tocar a mão Dele
Sem precisar acreditar no nome, sobrenome, codinome
Deus, ilumina quem sente frio, saudade e fome
Que hoje eu mesmo vou me virar.



sábado, 16 de novembro de 2013

Rivieira.

Nem o remédio é maior
Nem o mundo é melhor
Que a tua companhia
A beleza que me trás
De trazer-te em mim sem sono
Teu coração é meu e pronto
Uma hora, duas horas
A vontade não passou
Colhi saudade a semana inteira
Pra plantar nosso amor.


terça-feira, 12 de novembro de 2013

A Zoé disse pro Bento que não sabia: o diálogo.

- Amor, eu me perdi, me desculpa, não quero assim! Acho que não sei mais de nada...
- Mas o que quer, afinal?
- Não sei.
- Você quer não saber, é mais fácil...
- Mas se eu não souber o problema é meu.
- Depois do primeiro 'eu te amo', o problema já não é mais individual.
- Mas e se eu disse sem saber?
- Não interessa. As palavras são mais importantes do que a realidade, meu amor. O mundo é assim!
- Quem disse isso?
- Sua falta de certeza, a falta de certeza das suas amigas, dos meus amigos...
- Mas ninguém nasce sabendo... Por qual motivo comigo seria diferente?
- Quer que eu te responda mesmo?
- Quero!
- Na verdade eu também não sei.
- Acho que te peguei...
- Pois é, me pegou. Eu também não sei, mas sei o que você não sabe: amar.
- Mas como você sabe disso com tanta certeza?
- Sabendo, oras... Eu tô dizendo!
- Então você confirma que as palavras são o mais importante, meu amor? Vai se render?
- Mesmo que eu saiba que não é assim, do que me adianta lutar contra isso?
- Sei lá, você podia salvar o mundo como achava que podia quando tinha 15 anos.
- Mas quando eu tinha essa idade eu não sabia de uma coisa...
- O quê?
- Que amar teria um outro significado depois das cartas e dos bilhetes que eu entreguei, das palavras.
- Mas disso eu já sabia...
- Eu sei que você sabia! 
- Então você sabe mais de mim do que sobre você?
- Acho que sim... É o que acontece quando amamos alguém de verdade.
- É, eu sei.
- Não, você não sabe. 
- Quem disse?
- Você!

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Dora querida, a crônica.

Dora nasceu, meio morta na vida e meio sem vida até na morte. Ontem mesmo, reviveu um passado que no retrato há sorrisos brancos e bonés coloridos. Ou seja, glorioso. Só que no fundo todos nós já sabemos: o autor da história é quem sabe melhor do que ninguém a verdade. Verdade essa vã, contada sem propósito e sem causa nobre, que talvez sirva apenas para o exercício da escrita e pra distrair a insônia.

O dia nasceu, Dora não. Quando se é adolescente, é natural o desejo de parecer ter a sabedoria maior do que a vontade de aprender. Adolescente quer falar difícil, quer o melhor biquinho na foto e o melhor sorriso pra manter na frente de tudo uma verdade: ser tudo aquilo que ao mesmo tempo não se pode ser, ou não quer ser. É normal não saber, Dora era normal por isso e por todo o resto.

Dora, certa vez disse: "eu amo a minha vida, meu namorado, minha cachorra, e meus pais. Meus pais... Eles não me deram um bom exemplo de equilíbrio e carinho". 

Pois é, Dora. Os pais não sabem da história também, e eu não sou melhor por saber, só estou contando, só. O tempo aqui embaixo não diz tudo. Por isso, antes de falar de amor ou de Deus, a gente precisa entender que os erros são apenas erros, tomados por decisões cegas em relação ao que os nossos olhos decidem enxergar no mundo. Sendo mais claro: mente quem quer, ama quem sabe. Mas sabe o quê? Amar, oras. Na liberdade de querer cuidar, estar abraçado no sofá assistindo TV aberta de domingo e conversar sobre o que viu a vizinha fazendo ontem de noite. Aquela vizinha porca que jogou o lixo todo aberto na lixeira.

O líbido é uma herança, mas pra quem escolheu ser vazio, é uma maldição.

Dora quis aparecer, esqueceu de ser. Perdeu um pouco de tudo o que poderia ser real. E os pais quando não eram exemplo? Decidiu então os olhos de Dora, sem usar a cabeça ou o coração - só a retina mesmo já estava bom, ser apenas desculpa pro escândalo no meio da rua, a traição aos seus verdadeiros amigos, a mentira de estar feliz sendo triste. De ter amor sentindo saudade do que se perdeu ao escolher errar. Sabe o erro por escolha que Deus sempre perdoa e fica tudo bem? É desses que vemos em Dora.

Parabéns Dora. Pobre Dora. Deus ilumina quem emana luz também, e só. É uma troca justa, mas não é justo usar a máscara até na hora de se reconhecer, na hora de acordar e ir direto pra pia com espelho escovar o dente. E olha que nem o dente escovado é seu. Mas nem é dentadura também. Bom, acho que deu pra entender.

Na verdade, eu acho que não, mas já que isso tudo é história, o que vale são as palavras.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Oração.

Eu quero amar
Em plena liberdade
Aos avisos de Deus
Que eu ouvi ao viver
Simplesmente eu vivi
Sem a necessidade vã
De pôr Teu nome, Pai
Na frente de tudo que já é
Por Ti e por todos nós
Naturalmente construído e dito
Feito honestamente pelo coração
Mas vivendo sempre em vão
A gente Te pede desculpas
Te agradece e Te coloca em evidência
No argumento, na justificativa e na dor
De nem sequer existir na vida
Com medo de Tu nos castigar
Dá até medo de sonhar, de viajar
De querer outro corpo pra soar, comigo
De manter nossa natureza de errar, libído
Pra aprender
Como deve ser
Me encontrar
Amém.

domingo, 3 de novembro de 2013

Musiquinhas.

Eu ganhei peso
Estou cansado
Sinto calor
E a janela
Me refrescou
Mas se tem grades
Porque ventar?

E pela porta
Pelas escadas
Eu nunca encontro
O meu lugar
Eu tropecei
No meu degrau
Particular

Do meu rebento
Ao corpo quente
Os pés queimando
Motor rodando
Ligado vai
Pra frente, sem direção
Indo se desencontrar

Deitei o corpo
Já vou embora
Quero teu rosto
Pois no final
Retroceder
Já acaba voltando
Sempre em você

Mesmo sem rimar.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

É.

Eu nutri ódio naquele escuro, nutri toda essa escuridão também
Calei minhas canções e cantei o que sei sobre não saber
Preferi calar meus encantos, disfarçar os meus espantos
Vivi o amor no vazio que não cabia precisar
Escolhi o que era oco pra ter sentido em preencher
Aceitei servir minhas necessidades com água dos meus próprios olhos
Frequentei as festas e as pessoas não queriam me escutar, só dançar

Nunca soube medir essa necessidade de me colocar a prova
Dosar essa natureza de ser amor no que se deve ser ar, nada, só
Mundo real, seres humanos, eu, vocês, as cartas e as palavras
Fica escondido só o que a imperfeição impede a boca de falar
E sendo assim: cumpri uma missão bastante complicada, por mim
Amei ainda mais por ódio dessa demência do mundo não ser sensível
Tive ainda mais fé por ódio dessa oração cheia de culpa, medo, mentira

Foi por ódio, soube usá-lo junto com o egoísmo de me cuidar
Até hoje eu não abracei nada do que eu queria sonhar
Eu realmente não venci, eu realmente não aprendi nada da vida
Sou ainda uma criança procurando um disco pra ter companhia
Na hora da Nanci ir trabalhar, na hora que o dinheiro ia acabar
E eu me perguntando o motivo do meu pai não vir nos ajudar
Nas horas de buscar o disfarce que eu herdei dessa solidão
Foi por ódio que eu aprendi amar
Se é o ideal eu não sei
Mas eu aprendi
E amo
Mais
Sim
É
.


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Você.

Sou o rock, teu disco preferido
Dançando sempre sem parar

Sou teu amor, a dor do cisco
Fazendo o corpo todo despertar

Sou teu mundo, sou profundo
As vezes sei como complicar

Mas teu poema e a tua força
Não me deixa nunca mais parar

E amanhã vou tocar
Minha melhor canção pra você
E depois vou te levar
Pra onde o mundo não nos possa ver

Sou o amanhecer do teu lado
Querendo o tempo bem devagar

Sou o minuto virando segundo
O nosso tempo nunca vai passar

E o meu medo, virou coragem
Queira sempre me ouvir cantar

Teu ouvido é a minha saída
Pro coração nunca mais se calar

E amanhã vou tocar
Minha melhor canção pra você
E depois vou te levar
Pra onde o mundo não nos possa ver

Quero te ver dançar
Num mar e os sorrisos
Colherei aos poucos
Pra ser feliz também.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Liberto.

Pra quem me magoou
Hoje eu recomeço
E a demora em perdoar
Meu maior erro retrocesso

Pra quem me fez chorar
Hoje eu me liberto
E de todo mal que eu desejei
Sobrou agora meu afeto

Por quem errou demais
Talvez eu tenha errado mais
Quem sabe até é minha culpa
Uma parte dos amores mortais

A porta eu vou largar aberta
Busque o que te faltar de bom
Me sobrou muita coisa na caminhada
Mas o que prevalece é meu som

E se um dia eu for cantar
Será sobre esse amor que sobrou
Das dores que me fizeram entender
E o sentimento de paz que ficou


quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Fé.

A fé de quem paga
Te prende
Ao chão
Não há

Os salvos não salvam
Te pregam
No escuro
Alienação

Pela diferença espontânea
Deus intocável
Meu rock descartável
Tua condenação

Quem está certo?
Nem tudo
Muitos menos nós
Ou melhor,
Você.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

São Paulo.

Quem forja os sonhos de si 
Quem não se acredita ao acordar
Quem é poesia só dormindo
Que nem descansa nem se reflete
Pra lugar algum do que acreditou
Menino, era mais ou menos por voar
Achando que viver era só poetizar
Lutar com amor à frente e indo pra trás
As lutas as vezes não fazem sentido
Mas a derrota é a gente que determina
Senão nunca teria me sentido dono de mim
E o escritório, mesmo vazio, me ensina
Relatórios e os números do dinheiro de alguém
Acabam mostrando que devo fugir
Pra um país diferente sem deixar meu aval
Sem precisar de fichas telefônicas pra ter o amor
Sem precisar de cartas, acumulo de saudades
Não faz sentido ir contra o que se sente
E nem se privar de sentir, seja bom ou ruim sentir
Sentar a mesa e ver os sonhos virarem verdade
A sua derrota pros outros virou um disco ou um livro
Que ficou, encantou e os fez odiar por não entender
Poesia fácil e corrida é como um dia em São Paulo
Então não há motivo de me diferenciar
Meus sonhos conturbados me acordam exausto
E isso faz parte da jornada de uma semana
Chega sexta-feira e sou um outro garoto
Homem só serei quando eu retornar na coragem
E em mim.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

1001 Caixas.

Deixo essa por quem for cair
Eu não, jamais
Não tem como cair mais
Nem por mim ou por meus pais
Tenho a obrigação de fingir
De carregar o peso do que ele errou
Por parecer que nunca acertou
Pela pena falsa que alguém me doou
Até isso...
Nem deuses nem o azul
Chamem de bunda ou de cu
Santidade é maior que nós por ideais
Eu não, jamais.


segunda-feira, 22 de julho de 2013

Uma direção só.

Vou deixar a pílula na caixa
Pra ser, talvez, mais fácil engolir
A água e a certeza de querer viver
O vinho que virou vinagre sem querer

Vou estar onde o nosso amor se encaixa
Mesmo engasgando ao te ver sorrir
Pelos sonhos palpáveis ou não
Pelas vidas prováveis no céu ou no chão

E aonde quer que eu esteja
Esteja bem por mim
Mesmo cantando tristezas
Estou bem perto de ti
E se eu sair, me busque
E se não der, não se assuste
Pois estarei tentando te encontrar também

Vou deixar o bilhete na catraca
Pra te fazer chegar de graça
E esse tempo que me fez morrer
Só abriu portas pra eu poder crescer

E te dar os meus amigos e sonhos
E te doar todos os meus contornos
Pra sempre dar tempo de viver
E quem sabe essa nuvem desaparecer.

domingo, 7 de julho de 2013

Todo risco.

Me amarrei na corda por saber que a culpa é minha
Não andar e até a saudade sem rima
Eu troquei de roupa olhando pra cima
Vendo a luz na janela que tantas vezes vi
Em outras horas, outros tempos em nós, em si
Alegria e medo são gêmeas ao se importar
Pra ninguém entender nem aprender amar
Quente por estar ao norte de manhã
E de noite tanto faz por nem ser ainda amanhã
Mas aí passa, num piscar de seis horas corridas
Pra quem não aprendeu como fechar as feridas
Uma de cada lugar, duas ou mais por respirar
E assim a gente vai na esperança de nos vencer
Tudo isso ao passar do tempo sem retroceder
E a bomba-relógio que se ativa e me explode
Da vida que deita em cima da gente e não fode.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Das agonias, a força. Das palavras, as vezes, nada.

Não é competição de sabedoria
Mas se fossem ouvidos radiaria
Por quem entende só assim
Pra verdade que sobra só pra mim
Enfim, inquisição não é poder
Me resta o choro em não convencer
Em não usarem meus altares do coração
Por não ser um grande veículo de comunicação
E o querer acordar com o meu próprio
Propriamente dito eu escrevi um prólogo e epílogo
Mas ninguém leu, escreveu, ó meu Deus

O que eu faço agora pra me suportar?
E quando isso vai fazer despertar?
Ao invés de vento dos outros vir me derrubar
Me esquecer no dia seguinte e nada devagar
E se leio pouco é pra me torturar
Pra ser mais nobre e me denominar
Ao meu encontro eu quero teu escutar
Quem sabe assim seja mais fácil amar
Ar, ar, ar, ar e só falta agora respirar.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Fitoterápico.


De que adianta um instrumento que tocado
Soa mais baixo que o meu sussurro?
Sinto-me um coitado mais dia menos dia
Mesmo lutando pra deixar de ser burro
É a força equivalente à falsidade
E honestidade que lhes faltam mas ainda me vence
Eu sei, vocês se esforçam e soam bem melhores
Mas aceitem que esse mundo me pertence

Aceitem que um dia os esquecidos vencem...

Hoje o escritório inspirou uma canção vazia
Onde preenche a vontade de pegar uma estrada
E sem as quatro rodas me restou o violão essa noite
E a esperança da minha própria vida por mim ser amada
Escada, retina borrada, mandamentos da fé errada
Tudo o que não pode, Deus deixou pra aprender
E chega de novo na minha frente os profetas de asfalto
Que são quentes, te convencem, mas estão a perecer

Dura menos que leite aberto fora da geladeira
Eu sei que é besteira
Da minha besteira eu nasço
E fiz de um rosto um traço
Me nego e por aí me amasso
Preciso de um showzasso, um abraço
De espaço, um baço e mais que um passo
E o estilhaço do pulmão de quem fuma um maço
Funciona como o coração de quem escolhe ser escaço
E eu caço a boa nova sem saber sair do meu espaço
E ninguém entende o ofício que eu acordo, visto e faço
Não sou de aço.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Virada vomital.

Sem cultura
Desestrutura
Ninguém quer arte
E é dessa parte
Que eu me envergonho
E eu disponho
Do meu não-vazio
Que nada salva, nem Rivotril
É garrafa demais
Pra quem tem barriga cheia
De ser escroto, vazio
De ficar me encarando
E no outro dia é só o rastro
Desse vazio vomitando
É ódio, liberdade cega e rancor
E o pior que eu vejo isso de quem clama amor
Falar é fácil, mas ser ninguém também
Gente jogada na rua e vocês dizem amém?
Quem? Me diz quem vai jogar a toalha
Feche os olhos pra fingir que essa ressaca logo acaba
Mesmo com dor de barriga
Mijo a rodo na bexiga
A seiva que é cantada
Nunca foi extraída.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Escravo espiritual.

Espiritual e mágico
Todo borrado e medroso
Endurecendo um caminho
Deixando um bom homem rancoroso
Mandando uma bomba ao resto
A quem não há coragem
Onde alma é como miragem
Onde nem um avião faz viagem
E o combustível da mediocridade
Endurece a nossa falta de humildade
E nos esconde da nossa própria verdade
De ir embora ao tchau do covarde
E virar as costas sem pensar maldade
Pois sumir de si mesmo é a vontade
De não existir ao bem, e pra mim
Covardia é pó, passa um pano e segue
Deus não espera que você me martele
Se condene ao choro da tristeza que expele
E não é porque morreram por mim
Que eu vou me fingir de morto
Me fazendo de pau que nasceu torto
Nem sei o que é côncavo ou convexo
Mas sei um pouco do certo e o inverso
E aprendi a ir contra aos pobres cadáveres
Que assolam ruas e lares
Mesmo vivos boiando pelos mares
E nem a onda faz questão de levar
Se a gente não se determina a navegar
E nem tudo na vida depende de tempo e artifício
Meu mundo está bem longe de se tornar num hospício
Pois eu já achei a flor
Eu já achei amor
Já deixei um pouco de solidão e calor
Pelos cantos que no final preferi deixar quentes
E não vou recuar até que se reinventes.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Contradição.

Eu sigo os passos que eu quero
E você deveria seguir os seus também
A vida deve ser mais do que eu espero
Só vai ser menos se eu não correr
Correr pra tua direção
Ir contra o vento e a favor do coração
E a canção que me tocar
Seria fácil ser bem mais
Se não fosse a pressão da vida e os capitais
Mas é assim, por mim tudo bem
Eu vou lá, tenho que ir buscar.

Açúcar agridoce.

As vezes me encontro sem trilho
Sem motivo se vai meu abrigo
É constante um desiquilíbrio
Sobre a busca de estantes sem chão

Não que eu desonre toda conquista
Não que eu vire as costas e desista
Aprendi a arte de ser equilibrista
E que faz parte do meu coração
Ser vivo

E a questão que eu faço em ser tudo
Parece raso mas vou e mergulho
Tudo desanda pela falta do profundo
Tudo é banal ou vira contradição

E os lugares que eu sinto saudade
Deixam de lado a minha vaidade
Uma casa simples me trazia mais vontade
Não trouxe nada de lá até então
Faz frio

Mas o calor que a vida me insiste
É comparável ao amor que existe
E que um caminho melhor eu conquiste
Tudo em nome da minha canção

E a minha pequena me move sorrisos
E mesmo estando em todos abismos
Temos algo que nos torna concisos
Pela busca de nada ser em vão
E vazio.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Diabetes.

A falta de gosto na comida
A noite de ontem foi mal dormida
E a dor de estômago ou no canto da barriga
Dão negativo aos meus cuidados por você
São 250 de açucar no sangue, mas são 300 "eu te amo" numa semana
Enquanto a gente tira do cardápio um docinho aqui e outro ali
Eu fico mais magro e a gente junta mais grana
Pra eu viver do lado da melhor pessoa que eu já conheci
E te cuidar como nunca, como ninguém
Espero que isso te faça voar um pouco mais além
Ah, e não importa de onde vem o choro e de que dor
Só quero te mostrar que o silêncio é bem mais ensurdecedor
E pode deixar que o açúcar da vida fica por minha conta
Com meus versos e abraços pra você, te deixando tonta
Vou deixar tua comida pronta
E me ver brincar com a Valentina, futuro fruto da tua valentia
De amar a vida
De nunca deixar de me confiar
Sou teu escudo
Pronto pra te camuflar
Escudo transparente que te deixa ver as balas vindo mas não te deixa machucar
É isso que vai ser e é isso que não vai mudar
Diabetes é como ar
Que só depende da gente se você vai ou não respirar
Tua calma, um cuidado a mais, nossa paz e o amor por tudo
Vai reinar
E te salvar, tranquilizar
Remédio nenhum é mais poderoso que o meu amar.






segunda-feira, 11 de março de 2013

Cem e a casa dois.

A gente pega um pouco de saudade
Mistura e junta com vaidade
Quem somos nós, os seres em evolução?
E onde será a casa do meu coração?
Eu sinto falta da minha rua mais simples
E da solidão dos meus dias lá tão tristes
Mas tudo muda assim, sem avisar
E quem sou eu pra reclamar?
As paredes estão pintadas
E as da minha alma pela dona do meu coração
Os meus amigos não se foram, meus refrões não se perderam
Mas não aguento mais tanta destruição
Se eu me calar pra vida
Se eu não dizer sobre aquilo que nos restou
Eu vejo tudo indo embora, visitando o horizonte
Essa canção a gente já cantou
Então vamos lá
Mesmo que devagar
Olhe nos olhos da batida
Seja complexa ou sem rima
Apenas sejamos nós.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

A novela é mais importante.

Canta como se os passos calassem a voz
E o mesmo som que soa vai e vem
Enquanto vai embora paciência
Enquanto fica a saudade de ser o que nunca é
Freio gasto derrapa e marca a pista como pele
Que queima e cicatriza deixando marca nas mãos
Cansadas de segurar o senso, escapou pelos dedos
Toda a importância do que se faz
Vivo tudo hoje e nunca mais
Enquanto se vai os cabelos, cílios e corações
Rimando só por rimar ou como um poema assim
Sem linha traçada, na hora errada e o contrário de mim
Arde, eu sei, andar descalço na praia a areia fina
E a complexidade dos mares indo e voltando pra nós
Criando diversões, refrões, confusões e bordões
Cresce o passo largo de algo que nunca vai chegar
E se chegar, se, se chegar, olhe bem pra mim
Nunca temos tudo mas saber que não ter é o primeiro passo
Pra batalhar os passos cansados e dias irritados saltando do peito
E sei que a novela é mais importante do que as palavras
Que amanhã eu vou ler e não vou entender.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Nunca.

Pra onde vamos, meu bem?
Além, além do vento e o amor
Eu quero sim ir lá, sair de cá
Tocar a bateria, o violão, teu corpo
E a canção que eu cantar vem do gosto
Da tua boca querendo a minha perto
Do suor que foi eu quem fez suar
E se um dia foi a lágrima tua a cair
Não vai cair e nem posso deixar
Você sozinha
Nunca.

Sete.

Que todo mundo chora eu sei
O mais difícil é encontrar alguém
Que se permite pras lágrimas caírem
E pro amor bento delas caindo ao chão
É uma eterna aula, é um caminho sem volta
E pra quem escolheu assim, se apegue a sua melhor escolta
As coisas boas que os reis carregam no peito só são boas porque nasceram da derrota.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Mais uma.

Não vou mais
Virar e dormir
Nem amanhã sorrir
Porque é assim?
Só com pranto pra levar
A frente o que é tão sério pra mim?
Não sei mais
Nem aguento
Nem sei se eu enfrento
O que eu mesmo escolhi
Escolhi ser alguém que sente mais
Que pensa demais
Logo mais
Não saberei pra onde ir
Comigo.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Por onde for.

A vida sem querer se torna em firmeza
Ocupar uma cadeira na escola ou na empresa
Pra depois deixar vazio, a vida sempre foi um rio
Sem saber o momento certo e onde desaguar
A vida

Sem querer nós tomamos as nossas decisões
Alguns marcam isso em versos ou refrões
E deixar-se ir assim com um tapa no peito
É pouco pra um mundo transbordando defeito
Sem querer

E por onde for que sigam passos mais largos
E evitar que a secura do tempo cause outros estragos
Seja na tua sala-de-estar, no meu ou no seu lugar
Que seja a alegria do tempo e ser mais que só um momento
Por onde for.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Confusão metódica em escada.

Quem vai calar as frases feitas?
Eu me proponho
Suponho
Ponho
Respondo
Por onde ando
Quem vai curar feridas feias?
Será o amor
Clamor
Dor
Vamos supor
Que a dor é de quem
Escolheu ser um só e esqueceu
De ser.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Valentina.

Era uma moça só, de idade pouca
Ía por ir, como lhe fizeram ser assim
E pouco tempo aqui não era suficiente
Pro desprezo sobre suas ideias virar compreensão
Do mundo, dos outros, de quem quer que seja
Até cachorros sabem amar e nós não
Ela tem um pouco de coragem e as vezes medo
Escreve belos versos que não mostra pra ninguém
Descreve o rosto de um garoto com precisão
E sonha ir até um parque com ele pra aprender amar
E sabe que fica cada vez mais difícil sonhar
Que ele talvez nem tenha como te notar
E quando te descobrir não vai querer te imitar
Porque ela está sozinha, tão só e é só isso
Sua dicção poética é caótica aos que leem
Sim, ela mostrou pra três ou quatro e se arrependeu
Mas não sabe se desiste ou vive pra morrer assim
É uma nobre questão, uma nobre coragem prosseguir
Até porque os céus nos dão direito de ir e vir
Chorar e sorrir
Ser diferente e existir
E ela escolheu fluir
Que bom
Valentina era heroína de si mesma nessa história
Fez seu pai nascer logo depois de ter crescido
E o sentido disso tudo está depois dos dois pontos:
Tem espaço pra tudo e as caixas estão vazias.

Dezessete milhões de possibilidades.

A sensação de ser um só
É como um corte na pele
Ainda não chegou no coração
Nem quero ver se chegar
A maioria não vai me vencer
Nem por razão
Nem por cansaço
E por onde eu for levo o que aprendi
Pois abrir mão de ser eu não dá
Não demora pra desmoronar
Um pouquinho todo dia, e vai
Assim me erguendo mais
Vai entender...
Vai saber se eu tô mesmo vivo
Quantos planetas há mais
Dezessete milhões por todo lado
E não se sabe o que importa lá
Talvez eles sobrevivam como nós
E o nome de Deus seja o meu ou o seu
Rodeando também o limite dos muros
Construídos paralelamente por nós
Que em órbitas diferentes
Devemos nos dar a mão sem perceber
Vai saber...

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Escadardo.

Escada que sobe
                           A gente escolhe descer
                                                              E o viver que eleva
                                                                                           A gente prefere morrer
                                                                                            A gente vai se render?
                                                                                             Eu não tenho porquê   
                                                              Eu quero vida, viver
                           Sem explicar o que ser
Não tente entender

O que é forte permanece
Aos olhos nus do coração
Que se entrega e vira alvo
Dos sentimentos bons
De quem tem disposição
De ser teu alvo também
Não há nunca quem
No fim, não queira amar
A gente não pode se cansar
De abraçar a vida que temos
E no ponto de trólebus
Amanhã eu vou lembrar
De você
E você
Você.

Toneladas.

Na volta que eu dei
Eu quase me perdi
Eu ainda não conheço bem
As ruas que são daqui
E o meu coração
Não viu o céu abrindo
E entre esse quarteirão
Há uma alma partindo
Pedindo pra se perder
Ir pra longe um pouco
Implorando pra viver
Não fazer da razão um soco
O bom dia que levaste
A despedida que encolheu
Não quero ter que usar um guindaste
Pra resgatar o que escolheu
E por onde for eu vou, eu vou
Eu só quero ir, eu vou, eu vou.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Não tão bem dada.

A gente cria relógio pra se organizar e se perde no tempo
A gente tem os sonhos e espera brotar a hora certa e um momento
Há quem se frustra e interfere o passo do outro pra sentir-se isento
Viver é mais foda do que eu pensava.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Como bem entender.

Ao sentido que vê
Ao copo que esvazia
Sem matar a sede
Sem o gosto da fruta

Sejamos nós algo bom
Que o que pescamos é nada
Somos tudo ao entender
Que tudo é o que podemos viver

Tudo hoje, nada amanhã
Enquanto penso vivo mais
Escrevo e passa o tempo
Mas ganho mais amanhã
Talvez, sei lá.

A festa e a luz do amor.

Eu quero ir assim, da minha maneira
Com as certezas e canções no peito
Pra fazer da minha vontade um lar
Aquele lá que eu quero morar contigo
Meu abrigo, dois filhos e os amigos
Se tenho razão pra mim e pra nós, tá bom
Há tanta coisa pra conhecer, eu sei
Mas vamos dar as mãos pra conhecer
Sempre juntos e na mesma hora, assim
Só assim o que é nosso vai prevalecer
A luz que os céus nos deu vai viver
Em nós, nos que chegarem e nos que irem
Mas quando chegar a hora de partir
Que seja sempre ao mesmo lugar
Pra esse amor todo sempre ser festa.


quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Os defeitos das traduções dos livros dos heróis.

O que Deus nos deu por aqui
É luz, espírito, mediunidade
Carregue-se do bem entregue
E o que for o contrário disso
É fugir da culpa de ter em si
Um pouco do mal também
Admita-se sem se escorar
Reflita-se sem se basear muito
Jogue as verdades na mesa
Pra juntá-las e jantar solução
Enquanto se faz a oração, já pronta
Se cria coragem e acha que vai
Mas vai pra onde? Esqueceu?
Antes tem que ir pra algum lugar
E a coragem de enfeite, é assim
Precisa ter forma
E se um homem deu sua vida por nós
Façamos o mesmo por amor, antes de tudo
Pra salvar o mundo com as próprias mãos.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Comendo livros do Abreu, se é que ele tem livros...

A gente escolhe ser
O que queremos inventar
Pegamos o trecho do livro
E fazemos dele um gesto
Pra transcender o que foi lido
E admirado pelos olhos
Vezes do coração e a vida diz
Não! Assim não se vai, só assim
É tudo mais e mais do que é ou parece
Daí perdemos a fé e a vida envelhece
Não erremos assim
Façamos nós o caminho das linhas do caderno
Com letras, desenhos, formas e símbolos
Qualquer coisa é melhor
Do que pensar com a cabeça de alguém.

dezessete de dezembro, quase dez de janeiro.

Eu quero um bom motivo
Pra enquadrar esse poema
E pregar na parede da sala
Da nossa sala, até mesmo apertada
Esse aqui eu não vou rasgar
Nem escrever outro no lugar
Com você nunca vou ter saudade pra chorar
Nunca saia de perto de mim

E se eu tiver saudade
É porque está em outra cidade
Mas volta depois de trabalhar
Eu e as crianças pra cuidar
Não vou deixar você ir
Venha sorrir
Venha dormir
No meu colo pra sempre

Vou te ensinar a cantar
Mais a vida que é assim, tanta
Grande, imensa, e depois da janta
O mundo pode desabar lá fora
Eu não tô ligando pra tempo nem hora
O que importa pra mim é agora
Seja meu lar.


segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Ponto de vista da paz.

O cara que rebaixa o carro
O cara que só vê TV
O cara que fuma cigarro
O cara que não pagou pra ver
Tudo o que não concordo
Não me faz o dono da verdade
Mas já que eu tenho voz discordo
O silêncio nunca fez amizade

Se a fumaça cheira bem pra você
Não sou eu quem vai te convencer
De que talvez seria melhor mudar
Você talvez nem concorde com meu caminhar
Só espero que possamos concordar
Que nada disso é melhor do que amar
Que nada disso purifica o nosso ar
E que nada disso vai te fazer ganhar.


Elas duas e eu.

Eu namoro a vida
E minha vida é ela
Namoro as duas
Ao mesmo tempo
Hoje eu sei amar

Eu sou a vida
A minha e a dela
Apaixonado pelas duas
Ao mesmo tempo
Hoje eu sei lidar

A vida é doce
Salgado é o mar
Ela me encanta tanto
Secou todo meu pranto
Só em me deixar ficar

E sei que vou
Prosseguir e te seguir
Sem sair do teu lugar
E mesmo do lado de lá
Eu vou estar aqui

Aqui é você
Você é tudo pra mim
É simples viver assim
Amor, te prometo a vida
Que a gente sempre quis.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Esses dias tantos.

Virou o ano
E a canoa
Que fique todo lugar
E passeie o mar
Sem virar nem bambear

Passou outro ano
E o amor
Que tome o seu lugar
Amor é feito pra amar
E o teu foi feito pra ficar

E o tempo voa
É devagar e nem dá pra ver
Escorrega em nossas mãos
E semeia a terra virando grãos
E o sim da vida mata os nãos

Até a gente chegar lá
Nas montanhas que cantamos
Nas casas que nós planejamos
Nos três ou quatro filhos que tenhamos
Tem o tempo pra passar
E as lições de sustentar a nós
Pra ir
Pra chegar
E ser o que somos um sonho
Entre ontem
Hoje
E amanhã.




terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Dois mil e treze.

Quando passa o ano a gente tira o pé do chão um pouquinho
Um pouquinho mais do que o normal do dia-a-dia
A gente tem anseio de ir rápido ao invés de ir de mansinho
E tenta esquecer o quanto de tempo ontem a gente perdia

Em querer brigar, em pensar que chorar nos traria a aurora
E não querer mais o passado ruim
É moda lá fora e sempre foi

Espero que o mundo do bem não dure só essa semana
Ao contar como foi sua viagem no trabalho ou na escola
Os telefonemas que fez e os abraços que deu em quem ama
E que esses gestos todos durem muito mais que só uma hora

Pra não brigar, em fingir que está bem quando não se está
Esquecendo da dor no peito e das contas pra pagar
Mundo perfeito não há
Mas há ela, meu amor, e pra vocês também deveria haver
Só pra ver no que vai dar
Sair da moda e só sonhar
Sair do chão e ser feliz, enfim.